Não há um caminho sem dor para combater a inflação, avisa Fed após novo aumento de juros

O aumento - o quinto este ano - leva a taxa básica de juros para 3,0-3,25 por cento e novas subidas devem seguir-se, avisa o presidente da Reserva Federal norte-americana.

A Reserva Federal norte-anmericana (Fed) elevou a taxa básica de juros dos EUA novamente na quarta-feira e disse que mais aumentos devem seguir-se na luta contra a alta dos preços - uma postura agressiva que aumentou os temores de uma recessão. O presidente da Fed, Jerome Powell, alertou que o processo de combate contra a inflação envolverá alguma dor.

Este foi o terceiro aumento consecutivo de 0,75 pontos percentuais pelo Comité Federal de Mercado Aberto do Fed (FOMC), continuando a ação vigorosa para conter a inflação, que atingiu o nível mais alto em 40 anos.

O aumento - o quinto este ano - leva a taxa básica de juros para 3,0-3,25 por cento, e o FOMC "antecipa que os aumentos contínuos... serão apropriados".

A subida dos preços está a pressionar as famílias e empresas norte-americanas e tornou-se numa responsabilidade política para o presidente Joe Biden, que enfrenta as eleições parlamentares de meio de mandato no início de novembro. Mas uma contração da maior economia do mundo seria um golpe mais prejudicial para Biden e para o mundo em geral.

Powell deixou claro que as autoridades continuarão a agir agressivamente para resfriar a economia e evitar uma repetição dos anos 1970 e início dos anos 1980, a última vez que a inflação americana saiu do controlo.

Nessa altura, foram necessárias medidas duras - e uma recessão - para finalmente fazer cair os preços na década de 1980, e a Fed não está disposta a abrir mão da credibilidade conquistada com tanto esforço no combate à inflação.

Powell disse que o banco central dos EUA está comprometido em aumentar as taxas de juros e mantê-las altas até que a inflação caia e alertou contra a inversão de curso cedo demais. "O registo histórico adverte fortemente contra o abrandamento prematuro da política", disse Powell, acrescentando que não há espaço para complacência e que a Fed "continuará a agir até que o trabalho esteja completo", embora em algum momento seja apropriado desacelerar o ritmo de aumentos de juros, dependendo dos dados.

Dor

Powell reconheceu que a redução da inflação exigirá um período de crescimento mais lento e maior desemprego, observando que o mercado de trabalho está com muito mais vagas do que trabalhadores nesta altura. "Temos que deixar a inflação para trás. Eu gostaria que houvesse uma forma indolor de fazer isso. Mas não há."

O presidente da Reserva Federal disse que a inflação alta contínua seria ainda mais dolorosa, especialmente para aqueles menos capazes de suportá-la.

As previsões trimestrais da Fed divulgadas com a decisão da subida de taxa nesta quarta-feira mostram que os membros do FOMC esperam que o crescimento do PIB dos EUA fique praticamente estável este ano, subindo apenas 0,2%. Mas perspetivam um regresso à expansão em 2023, com crescimento anual de 1,2%.

A Fed projeta novos aumentos de juros este ano - totalizando 1,25 pontos percentuais - e mais em 2023, sem cortes até 2024.

Embora o FOMC tenha observado ganhos contínuos de empregos nos últimos meses e baixo desemprego, as previsões projetam que a taxa de desemprego aumentará para 4,4% no próximo ano e se manterá em torno desse nível até 2025.

A inflação é um fenómeno global alavancado pela guerra russa na Ucrânia, além dos problemas globais das cadeias de distribuição e dos bloqueios de Covid na China, e outros grandes bancos centrais também estão a tomar medidas semelhantes, como é o caso do Banco Central Europeu.

As ações em Wall Street entraram em terrreno negativo após o anúncio da Fed, enquanto o dólar americano disparou para o maior valor em 20 anos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG