Empresários aliviados com mexida do IVA. "Qualquer descida é benéfica"

A descida parcial do IVA da restauração vai trazer um certo "alívio" aos empresários portugueses mas, se para alguns é suficiente, outros pedem os valores de 2012

O IVA da restauração desceu para 13% nos alimentos, mas manteve-se a 23% nas bebidas. Apesar de a descida não repor os níveis encontrados antes da crise, parece ser o suficiente para animar os empresários do setor, que estão com dificuldades financeiras desde 2012.

A partir de 1 de julho os empresários da restauração poderão contar com a descida anunciada esta semana, o que para Ana Marina Pinto já será um alívio do "sufoco" que os 23% trouxeram. "23% é insuportável. Um quarto da faturação, quase metade do lucro, vai para o IVA e quase metade para outros impostos e gastos", lamentou a gerente do restaurante Sr. Fado, em Alfama. "Para mim qualquer descida é benéfica".

Ana Pinto Martinho, tal como grande parte dos empresários de setor da restauração, não aumentou os preços mas, para isso teve de "esmagar o lucro". "Foram noites a meter dinheiro no restaurante", conta.

Na altura de pagar o imposto, deixava de pagar a luz ou atrasava os salários dos empregados, num constante "jogo de cintura". "Puxa-se a manta de um lado para se destapar do outro", explicou a gerente, "mas fica-se sempre com o braço ou o pé de fora".

António Cabral, gerente do restaurante Café de S. Bento, viu-se obrigado a subir os preços em 2012, mas "não na proporção da subida do IVA". Para ele esta redução parcial "é razoável e ajuda, desde que não seja obrigado a descer os preços". Durante os últimos três anos deparou-se com uma "rentabilidade neutra ou negativa", ou seja, há algum tempo que não tem lucros. "A palavra de ordem durante a crise foi resistir", afirmou convicto.

A descida do IVA na comida promete trazer melhores dias e, por isso, António Cabral já planeia contratar alguém a tempo inteiro este ano. Como o restaurante está localizado em São Bento e depende do turismo em Lisboa, nos últimos anos o gerente tinha recorrido apenas a contratos de curto prazo, cinco meses no máximo.

José Nobre, do restaurante Nobre, também pretende aumentar o número de funcionários este ano, graças ao alívio que a descida do IVA trouxe. Na verdade, e apesar de a medida só ser aplicada em julho, já contratou uma pessoa e a segunda contratação será em março. Durante os últimos três anos não teve lucros e abdicou de obras e melhorias nas condições do restaurante, no Campo Pequeno, para não ter de aumentar os preços dos menus.

A descida que agora se propõe "não é suficiente mas ajuda bastante". Para o empresário, a "solução mais justa era pôr a comida a 6% e a bebida a 23%, porque os restaurantes compram a comida com um IVA de 6%" ou, no mínimo, reporem os valores anteriores, de 6 e 13%.

Ana Pinto Martinho prefere não arriscar em contratações agora. A prioridade é acertar as contas em atraso e regularizar o pagamento dos empréstimos."No futuro talvez", conta.

O Sr. Fado tem sobrevivido devido ao turismo. "Mantivemos as portas abertas porque dependemos do turismo e o ano passado foi muito bom", contou a gerente do restaurante em Alfama, que reconheceu que muitas "casas portuguesas" têm mantido as portas abertas por causa dos estrangeiros.

Rodrigo Azevedo, assessor de direção do restaurante Kais, em Santos, foi um dos que sentiu um aumento no movimento e no número de clientes graças ao turismo. Os clientes estrangeiros têm apoiado mais o negócio do que os portugueses, o que obrigou o negócio a adaptar-se.

Para já não está prevista uma descida de preços no restaurante em Santos, porque "não se sabe bem que produtos ao certo vão baixar ou não". Primeiro, a direção tem de "fazer as contas" e analisar a procura para o negócio. No entanto, Rodrigo Azevedo mostra-se satisfeito porque, afinal, "são 10% a menos que contam" e qualquer coisa "é melhor do que como está".

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