"Desde que chegámos com a Web Summit, Lisboa passou a ser a cidade mais quente da Europa"

Para o cofundador da Web Summit, Portugal mudou todo o ecossistema de startups: estão mais profissionais, têm mais maturidade e conseguem atrair investidores de todo o mundo.

Quando o cofundador e CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave, decidiu trazer o evento tecnológico para Lisboa, isso aconteceu em grande medida porque acreditava que a capital portuguesa era uma cidade excitante e com enorme potencial. Cinco anos depois, essa opinião não só foi confirmada como acentuada pelo número de empresas criadas, não apenas por portugueses, mas por pessoas de todo o mundo.

Pode dizer-nos quais são as expectativas para a edição deste ano da Web Summit (WS)?
A primeira coisa é que não consigo acreditar que isto esteja realmente a acontecer. Em maio deste ano não estava claro se o evento poderia de todo acontecer. Em junho recebemos a boa notícia das autoridades portuguesas de que parecia que um evento em novembro poderia ser possível. Analisámos os dados iniciais, pensámos, talvez 10 000 pessoas e os meses passaram. Sabíamos que a capacidade máxima com restrições seria de cerca de 40 000 pessoas. E a cada mês que passava esses números mudavam. Dissemos às autoridades e ao governo, ok, parece que 15 ou 20 mil pessoas, talvez 30 mil. E esse número será agora o da capacidade máxima. Portanto, é simplesmente incrível. A minha expectativa já se está a cumprir. Mal posso esperar que a WS comece.

Casa cheia.
Casa cheia, com todos os protocolos de saúde. Trabalhamos muito de perto com a DGS e com o governo. Por isso, estamos ansiosos por uma WS segura, a primeira WS em Lisboa em dois anos.

Pode falar-nos um pouco sobre os temas e os oradores?
Sim, claro. Penso que haja alguns temas muito grandes. Se olharmos para os jornais em todo o mundo, as primeiras páginas e notícias de televisão, realmente as duas últimas semanas têm sido dominadas pela denunciante do Facebook, Francis Hogan. E é a nossa grande oradora na noite de abertura [dia 1]. É a primeira vez que ela aparece em palco, em qualquer lugar fora do Congresso dos EUA, e do Parlamento do Reino Unido. Isso é extremamente importante. Um dos outros temas principais é a sustentabilidade. Temos mais de 200 startups, e oradores, a apresentar, a exibir, centrados nas SDGs [sigla em inglês de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] da ONU. Penso que não há maior questão do que o clima. Claro que se pode falar de empresas de tecnologia em geral, mas o clima é a maior questão e inevitavelmente chegamos a um mundo mais sustentável através da inovação. É ótimo que os líderes políticos e alguns dos maiores poluidores do mundo se reúnam na COP26 [Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas] enquanto decorre a WS, mas penso que é realmente interessante que a Web seja dominada por empresas que irão impulsionar a inovação que nos levará a um mundo sustentável. Eles não vão estar na COP. Deveriam estar na COP. A COP deveria incluí-los, mas eles vieram à WS porque para eles esta é uma plataforma mais importante. Por isso, estou entusiasmado por conhecer essas empresas e estou entusiasmado por o mundo ver muitas destas empresas. A criptografia é outro tema grande e há mais... muitas outras áreas excitantes, mas penso que o clima é o maior problema que enfrentamos.

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