Microcrédito afunda 40% com pandemia

No primeiro semestre de 2020 foram financiados projetos no valor global de 4,7 milhões de euros. Crise económica e confinamento forçado desmotivou empreendedores.

A procura de microcrédito caiu quase para metade no primeiro semestre de 2020 devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus. As medidas restritivas e o confinamento imposto pelo Governo desmotivou os microempreendedores. Segundo dados fornecidos ao DN/Dinheiro Vivo pelo Instituito do Emprego e Formação Profissional (IEFP), foram financiados 243 projetos num valor global de 4,7 milhões de euros, entre janeiro e junho deste ano. Em igual período de 2019, foram concedidos 7,75 milhões de euros para financiar 371 projetos.

Estes projetos foram aprovados ao abrigo de duas linhas de financiamento destinadas a operações de microcrédito. Trata-se da linha Microinvest, para operações de crédito até 20 mil euros, e a linha Invest+, para projetos até cem mil euros. Estas linhas inserem-se no âmbito do Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego (PAECPE). Neste programa, é possibilitado o crédito ao investimento com garantia e bonificação da taxa de juro, concedido por instituições bancárias protocoladas com o IEFP.

Segundo a CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, que gere em articulação com o IEFP o Programa Nacional de Microcrédito (PNM), "durante os meses de janeiro a fevereiro existiu uma ligeira diminuição no fluxo de candidaturas, potencialmente atribuída à diminuição da taxa de desemprego e à taxa de crescimento real do produto interno bruto".

"Entre os meses de março e junho, com especial incidência no mês de abril, existiu um decréscimo mais acentuado de candidaturas (-60%) motivado pela situação de pandemia e confinamento, colocando o foco das necessidades de financiamento na tesouraria e não no investimento", salientou a CASES ao DN/Dinheiro Vivo.

Só pela CASES passaram 132 candidaturas no âmbito do PNM na primeira metade do ano, das quais 88 foram validadas, com uma estimativa de investimento de cerca de 1,6 milhões de euros e com a intenção de criação de 116 postos de trabalho.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

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