Menos de metade das empresas prevê contratar em 2020

Segundo um estudo da consultora Mercer, 9% das empresas pretende reduzir o número de colaboradores este ano.

Ao contrário do que acontecia até ao ano passado, o número de empresas nacionais que preveem contratar novos colaboradores já não ultrapassa os 50%. Um estudo da Mercer publicado esta quinta-feira conclui que em 2019, 44% das organizações tenciona aumentar o seu quadro de pessoal. O valor aumenta ligeiramente, para 46%, no próximo ano. A intenção das empresas de contratar colaboradores sofre assim "um pequeno revés", destaca a Mercer, face aos 53% registados em 2018.

Ao mesmo tempo, está também em queda o número de empresas que tencionam reduzir o número atual de trabalhadores. Entre as inquiridas no estudo, há 9% que admitem cortar postos de trabalho este ano, enquanto em 2020 a percentagem cai para 6%.

A análise dá ainda conta de um aumento na "movimentação e dinâmica" do mercado laboral português no último ano, facto que a Mercer conclui através do aumento registado nas saídas voluntárias de colaboradores das empresas, de 5% para 10%, entre o ano passado e 2019.

Citado no estudo, o Rewards Leader da Mercer Portugal, Tiago Borges, destaca que, apesar do previsto abrandamento do crescimento económico na zona euro, Portugal deverá "crescer acima dos seus pares, pelo que se pode considerar que o país atravessa um período de convergência face à Zona Euro".

Esse crescimento terá, acrescenta, "necessariamente reflexos ao nível do emprego e dos salários, pelo que é de prever que, apesar de um contexto internacional menos favorável, continue a verificar-se uma pressão sobre os salários da generalidade das funções e níveis funcionais em Portugal".

Empresas aumentam salários em março

O estudo da consultora incide também sobre a política remuneratória das empresas, concluindo que 85% das organizações inquiridas reveem em alta os salários dos seus colaboradores uma vez por ano, algo que acontece sobretudo em março e abril.

Em 2019 os aumentos médios oscilaram entre 1,97% e 2,32%, sendo os quadros superiores os mais beneficiados na revisão salarial.

Entre os motivos que levam as empresas a subir o salário dos colaboradores, destacam-se os "resultados individuais" alcançados naquele ano. O posicionamento do trabalhador na grelha salarial e os resultados da empresa também pesam na decisão. Os fatores menos relevantes para os aumentos de salário são a antiguidade e o nível funcional.

Motivos semelhantes foram invocados pelas empresas para justificarem a atribuição de bónus anuais aos seus trabalhadores. 86% das organizações inquiridas garantem que atribuem um bónus anual a todos ou, pelo menos, a uma parte dos colaboradores.

Já as empresas que atribuem incentivos de vendas, mensais ou trimestrais, aos colaboradores da área comercial não chegam a 50%.

Planos médicos para (quase) todos

As contas da Mercer permitiram também perceber que o salário-base anual dos recém-licenciados, no seu primeiro emprego, situa-se atualmente entre os 12 704 euros e os 16 594 euros.

No que toca aos principais benefícios atribuídos pelas empresas aos seus trabalhadores contam-se os planos médicos, que estão incluídos em 92% dos contratos dos trabalhadores inquiridos. Em 69% dos casos estes seguros estendem-se aos familiares.

Já em caso de baixa médica, 66% das organizações asseguram o pagamento dos três primeiros dias de baixa não comparticipados pela Segurança Social. Face ao ano passado, houve um aumento de 5%.

Os subsídios de alimentação, outro dos complementos salariais mais comuns, têm nestas empresas um valor médio de 169 euros por mês.

A Mercer tentou ainda perceber o que está a ser feito nas empresas em termos de preparação para a reforma. E aqui concluiu que 43% das organizações atribuem aos seus colaboradores um Plano de Pensões. "Cerca de 58% dos planos prevê a antecipação da idade normal de reforma (66 anos). Nos planos que concedem benefícios de pré-reforma, a idade prevista varia entre os 50 e 62 anos", explicita a análise.

Entre os benefícios menos comuns que as empresas concedem aos trabalhadores estão dias de férias extras, o pagamento das quotas de associações profissionais ou ainda o pagamento das mensalidades de atividades desportivas.

As empresas que atribuem subsídios escolares aos filhos dos seus trabalhadores não chegam a 30%. Os subsídios de creche são exclusivos de 12% das organizações inquiridas.

Em queda está a concessão, por parte dos empregadores, de empréstimos ou adiantamentos aos seus funcionários. No ano passado, 47% das empresas admitiram fazê-lo. Em 2019 o número baixou para 35%. Situações de emergência, educação ou assuntos de caráter pessoal são os motivos mais comuns destes empréstimos.

O estudo foi feito em 430 empresas do mercado português e inclui a análise a cerca de 111 mil postos de trabalho. Das empresas consultadas, 60% são multinacionais. Foram inquiridos trabalhadores de setores como as telecomunicações, bens de consumo ou serviços financeiros. A maior parte das empresas incluídas na análise fatura menos de 50 milhões de euros e emprega menos de 100 colaboradores.

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