Melhoria da perspetiva do 'rating' é reconhecimento do "enorme esforço" de Portugal

Centeno disse que o Governo continuará a trabalhar nas metas já traçadas de crescimento da economia

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse hoje que a melhoria da perspetiva do 'rating' de Portugal pela agência Fitch é "mais um reconhecimento do enorme esforço" feito na economia e nas contas públicas.

"É um sinal, mais um, do reconhecimento do enorme esforço que tem sido materializado nos resultados económicos que têm sido conhecidos e no rigor das finanças públicas que Portugal tem vindo a desenvolver", disse o governante à Lusa, em Lisboa, à chegada do Conselho dos Ministros das Finanças da União Europeia, que hoje se realizou no Luxemburgo.

Centeno disse que o Governo continuará a trabalhar nas metas já traçadas de crescimento da economia e consolidação orçamental, acreditando que esse caminho "significará no futuro que haverá mais revisões de perspetivas das restantes agências e mesmo uma alteração do 'rating' da República".

A agência de notação financeira Fitch melhorou hoje a perspetiva do 'rating' da República Portuguesa de "estável" para "positiva", abrindo caminho a uma alteração do 'rating', que para já continua em 'BB+', ainda em nível de 'não investimento' (vulgarmente chamado de 'lixo').

O calendário da Fitch para o ano corrente prevê a possibilidade de divulgação de eventuais revisões da notação atribuída a Portugal a 03 de fevereiro, 16 de junho e 15 de dezembro.

Além da Fitch, as agências Moody's e Standard and Poor's (S&P) atribuem a Portugal o nível de 'lixo', o que encarece os custos do financiamento do Estado e das empresas portuguesas.

Questionado sobre o facto de a dívida de Portugal continuar a ser considerada um investimento especulativo para as três maiores agências de 'rating' e de isso implicar maiores encargos no financiamento para as empresas e o Estado, o ministro admitiu que assim é, mas ressalvou que nas últimas semanas tem havido "uma redução significativa das taxas de juro" da dívida e que no prazo a cinco anos estas tocaram mínimos de 2006.

"Não estamos lá e é por isso que é preciso continuar a reforçar a confiança, haver estabilidade fiscal e estabilidade do sistema financeiro", afirmou.

Sobre a banca, um dos temas a que as agências de 'rating' mais dão atenção nas análises sobre Portugal, o governante considerou que "não há nenhum problema que se coloque hoje que tenha a dimensão do que se observou no final 2015".

Especificamente quanto à situação do Montepio, quando se sabe que o Governo veria com bons olhos a entrada de um novo investidor, Mário Centeno afirmou apenas que "as questões ainda por solucionar estão enquadradas" e que "estão a ser construídas soluções".

O ministro das Finanças disse ainda que o Orçamento do Estado para 2018 será "preparado por rigor" e, sobre o descontentamento que o controlo orçamental do Governo pode provocar nos parceiros que o sustentam, afirmou que é "legítimo que haja ambição", mas que o importante é garantir que Portugal "não ande para trás".

"Temos de atender à ambição na devida medida, no devido tempo, e seguramente continuaremos nos próximos anos uma política muito determinada de recuperação de rendimentos, com ganho de emprego e redução da carga fiscal", afirmou.

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