Medina diz que serão prestados todos os esclarecimentos sobre financiamento do ISCTE

A polémica em torno do financiamento de um projeto do ISCTE foi levada ao debate do Programa de Estabilidade pela Iniciativa Liberal (IL) e pelo Chega, uma discussão que decorreu na Assembleia da República com a presença de Fernando Medina.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, garantiu esta quarta-feira (20) que serão prestados todos os esclarecimentos no parlamento sobre o financiamento de um projeto do ISCTE, garantindo que secunda as palavras do antecessor, João Leão, sobre o caso.

"Já tive a oportunidade de observar as iniciativas que os partidos propuseram. Nesse âmbito serão prestados os esclarecimentos todos. Secundo naturalmente as palavras do meu antecessor [João Leão] sobre a matéria", respondeu o ministro das Finanças ao deputado e ex-presidente da IL Carlos Guimarães Pinto.

Precisamente a IL, o Chega e o PSD apresentaram hoje diferentes requerimentos para um conjunto de audições sobre este tema, estando entre o lote de personalidades que estes partidos pretendem ouvir Fernando Medina e o seu antecessor nas Finanças, João Leão, o antigo ministro do Ensino Superior Manuel Heitor ou a reitora do ISCTE, Maria Lurdes Rodrigues.

Durante o debate, o liberal Carlos Guimarães Pinto considerou que o parlamento estava "a perder tempo" a discutir um Programa de Estabilidade "que é uma ficção e que nem sequer cumpre os requisitos mínimos, nem sequer os requisitos legais para ser sequer discutido" na Assembleia da República.

"Percebo que seja injusto estar-lhe a perguntar isto a si porque sei que este documento não foi preparado por si nem pela sua equipa, mas foi preparado pelo seu antecessor que, entretanto, já saiu. Saiu não sem antes atribuir ao seu futuro empregador um financiamento que não atribuiu a outras instituições", afirmou.

Sabendo que Medina "já foi curador do ISCTE", Carlos Guimarães Pinto colocou uma "dúvida muito abstrata": "o que é o ISCTE?", apontando um conjunto de ligações desta instituição ao PS.

"Apesar de o país estar estagnado, de muitas universidades terem dificuldade em financiar os seus projetos, o ISCTE tem crescido bastante com a ajuda do PS", afirmou, perguntando a Medina se o ISCTE é uma "instituição de ensino superior pública ou é um satélite do PS com direito a fundos públicos para empregar ex-dirigentes do PS e distribuir diplomas a futuros quadros dos PS".

Também o deputado do Chega André Ventura levantou esta questão no período de interpelação ao ministro das Finanças.

"Este não é o Programa de Estabilidade de Fernando Medina, é o Programa de Estabilidade de João Leão, que aliás fez questão de financiar a instituição para onde foi agora trabalhar com financiamento do Governo", criticou Ventura.

Para o presidente do Chega, é curioso que se tenha "sabido que das várias instituições que pediram financiamento ao Governo socialista, só o ISCTE para onde foi trabalhar João Leão tenha tido esse financiamento".

Foi na resposta a André Ventura, mas sobre as questões económicas, que o ministro das Finanças apontou um estilo de intervenção muito diferente do seu ao deputado do Chega, que é o de colocar sobre tudo aquilo "muito entusiasmo e empolgamento".

"Mas há também uma coisa que é, ao contrário de mim, sabe qual é? é que o senhor deputado não fala verdade e eu falo verdade. Tudo aquilo que disse é pura e simplesmente mentira face aos dados da economia", acusou o ministro.

Ventura tinha antes afirmado que "mais constrangedor do que o ouvir" Medina tinha sido ouvir a deputada do PS Jamila Madeira ao dizer que "a direita só tem um programa, que é austeridade".

"Não foi nem o PSD, nem a IL, nem o Chega que trouxeram a troika para Portugal, foi o PS e Sócrates que trouxeram a troika para Portugal", acusou, considerando que "a história não se apaga, a história paga-se".

O presidente do Chega referiu que Medina tinha afirmado no debate que Portugal estava no caminho certo, com "menos défice e menos dívida".

"Menos dívida? Querem atirar areia para os olhos de quem? Os senhores são a cara, o rosto, o selo estampado nos portugueses do aumento da dívida brutal que todos vamos pagar nos próximos anos neste país", acusou Ventura.

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