Marta Temido não vê motivo para levantar restrições nos transportes

Em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF, ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos admitiu acabar com as restrições nos transportes. Marta Temido discorda e não vê motivos para alterar as normas em curso

A ministra da Saúde diz que não pretende alterar as restrições em vigor nos transportes públicos, depois de o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, ter admitido acabar com as limitações à lotação dos transportes, por não haver risco de contágio.

"Os espaços fechados aumentam a exposição ao risco. Os transportes púbicos sendo um espaço onde se acumula um número significativo de pessoas e sendo um espaço fechado, sem arejamento, suscitam a maior preocupação. Há sempre um caráter evolutivo nisto, mas não vejo motivo para alterar o que está definido", disse Marta Temido, na conferência que esta sexta-feira se seguiu à divulgação do boletim epidemiológico da DGS sobre os casos covid-19, realçando contudo que de facto há estudos que apontam não haver uma causalidade direta entre transportes públicos e contágio.

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, avançou em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF que admite a hipótese de terminar com as limitações à lotação dos transportes públicos. Neste momento, os transportes públicos têm a circulação limitada a dois terços, além do uso obrigatório de máscara.

Recorrendo ao exemplo de outras capitais europeias, onde não há essas restrições, Pedro Nuno Santos reafirmou que diversos estudos internacionais demonstram que não existe uma relação entre o uso de autocarros, comboios ou metro e surtos de covid-19.

"Temos de ter, numa fase como esta da pandemia, a maior das cautelas na apreciação de qualquer alternativa", avançou a ministra da Saúde. "Tendencialmente é uma das regras que outros países estão a usar, mas temos que ter tudo isto em consideração numa eventual reanálise dessa circunstância."

Sindicatos também contra fim do limite da lotação

Os sindicatos dos trabalhadores dos transportes públicos também se manifestaram já contra um eventual fim do limite de lotação, admitido pelo ministro das Infraestruturas, e defenderam um reforço da oferta, assim como o fim do 'lay-off' de alguns operadores privados.

Questionados pela agência Lusa, os sindicatos reagiram desta forma a declarações do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF admitiu acabar com o limite de lotação nos transportes públicos, atualmente em 2/3 da sua capacidade.

"Espero que essa intenção não se concretize. Temos a certeza de que um dos veículos do vírus é a sobrelotação dos transportes", afirmou à Lusa Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans).

A sindicalista que representa sobretudo os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa considera que "não faz sentido proibir ajuntamentos e achar depois que o vírus é seletivo e que não entra dentro dos transportes públicos".

"Aquilo que existe é uma dificuldade do Governo em admitir que tem dificuldade em obrigar os operadores privados a reporem a oferta a 100%", apontou.

No mesmo sentido, o sindicalista Manuel Leal, que representa os trabalhadores da Carris, alerta para a "oferta reduzida" que existe nos transportes públicos, defendendo o seu reforço, bem como o fim do 'lay-off' de algumas empresas.

"É particularmente grave a situação que se vive, em que temos uma oferta de transportes muito reduzida. Para nós, são ilegais as situações de 'lay-off' que se verificam, quando o Governo devia garantir o distanciamento social entre os passageiros", sublinhou.

Na entrevista que deu ao Dinheiro Vivo e à TSF, o ministro Pedro Nuno Santos afirmou que "é impossível controlar se os limites estão a ser respeitados" e afirma que "transportes públicos não são o maior problema no contágio da covid-19".

O governante ressalvou que Portugal é "dos poucos países da Europa onde há restrições à lotação dos transportes públicos" e que, por esse motivo, a tutela irá equacionar essa medida.

* atualizado às 17.00

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