Mark Cuban: "O Shark Tank é enorme em Portugal, adoro o país, mas não tenho planos de investir"

O tubarão investidor do programa ​​​​​​​Shark Tank, Mark Cuban - e dono dos Dallas Mavericks, da NBA - participou numa sessão de perguntas e respostas da Web Summit, com quase 700 pessoas, onde deu conselhos para negócios bem sucedidos e como os jovens podem atrair um investidor como ele.

A uma pergunta que fizemos a Cuban, sobre investimentos na Europa e possivelmente no país, deu a seguinte resposta: "O Shark Tank é enorme em Portugal! Adoro Portugal, mas para já tenho planos para investir mais por questões de tempo, foco-me mais perto de casa", explica.

Já sobre a pandemia, admitiu que os últimos meses foram "deprimentes, repetitivos": "mas vi muitas oportunidades a nascerem e esta é a altura ideal para os criativos, os loucos, mostrarem soluções e criarem empresas incríveis".

O investidor admite que a pandemia acelerou a digitalização. "Vimos que tudo ficou digital, tal como temos aqui com a Web Summit, e com isso há mais oportunidades, mais mercados possíveis e mais pessoas a comprar mais tipos de coisas online", explica.

Deu também conselhos para jovens que queiram investir. Cuban admite que já investiu mais de 100 milhões em pessoas que nunca conheceu, só com trocas de mensagens.

E o que faz a diferença no pitch quando recebe um email? "É logo o primeiro parágrafo, tem de me chamar a atenção, depois no segundo parágrafo têm de me dizer porque vão fazer a diferença em relação a outros com aquele produto e no terceiro devem dizer como eu os posso ajudar a chegar onde querem chegar".

Cuban explica ainda que ajudou começar os seus negócios sem nada a perder: "vivia no chão, estava falido aos 20 anos e por isso não tinha nada a perder, daí que seja bom começarmos startups ainda novos, porque há menos riscos".

Sobre os empreendedores, deixa também uma mensagem, pedindo aos jovens que "não vivam à grande, não se endividem demasiado e poupem o que consigam para investir no seu negócio". "Os empreendedores mentem todos a si próprios, temos de ser honestos connosco para termos sucesso porque só assim vamos lidar com as limitações do negócio e vamos perceber como os outros podem bater o nosso produto", adianta.

Indica ainda que independentemente do dinheiro que se tem no banco, os negócios devem abandonar o barco assim que percebem que os produtos que têm não vão resultar.

O importante de aprender sem parar

Aprender constantemente é importante. "Estou sempre à procura de novas tecnologias, aprender sobre elas e como as posso usar no meu negócios e isso faz a diferença", admite, indicando que "os mais bem sucedidos estão sempre a aprender, a ler artigos, revistas, novas áreas".

A internet continua a ser um palco em franco crescimento 25 anos depois. "Permite como nunca as empresas crescerem de forma exponencial - vemos a cloud e a inteligência artificial (IA) a explodir com a internet, tal como a telemedicina". Por isso diz que "a internet é hoje uma utilidade que permite criar empresas que fazem a diferença de forma muito rápida".

Diz mesmo que "quem domina bem IA é quem vai ser rei nos mercados e nos produtos oferecidos e a distância entre empresas que são mesmo boas em IA daquelas que não evoluem nessa área é cada vez maior".

Política fica de fora com saída de Trump

"Não vou ser candidato político. Quando Trump entrou na presidência envolvi-me mais em política, agora que saiu já não há motivo para envolver-me". O empreendedor admite que pensou em candidatar-se há uns tempos, mas a família não quis. "Sei que seria melhor candidato do que qualquer um dos outros que estão aí, mas a política é brutal e temos de considerar a família e sem o apoio da família nunca o faria", explica.

Deixa ainda uma curiosidade em resposta a uma das perguntas: "Michael Jordan seria um bom político, mas nunca o faria".

Já sobre o futuro do trabalho, refletiu sobre o valor do tempo. "O futuro do trabalho envolve tem tudo a ver com a arbitragem do tempo de cada um, o tempo é o mais valioso que há e é algo de que não somos donos", admite. Por isso explica que os negócios em torno de colocar outros a fazer algo por nós são tão importantes e têm crescido tanto, como Uber Eats. Cuban admite: "vamos ver a expansão nas empresas e nas nossas casas de serviços para tratarem de certas coisas por nós para nos dedicarmos a outras mais importantes".

O dinheiro tradicional não vai ser substituído pela Bitcoin

Já sobre as criptomoedas, Mark Cuban tem várias opiniões sobre as populares Bitcoin. "São uma versão digital do ouro. São o que alguém dá por ele, tal como cartões de beisebol, mas criou uma linha de confiança para muita gente e só vão fazer unidades limitadas, daí a procura tenha aumentado e o preço vai aumentar até que alguém a desestabilize, sejam hackers ou outros, mas ainda não vimos isso".

Sobre quem pensa em investir em bitcoin, admite que para muitos "é um investimento justo". No entanto: "acho que é doido pensar que o bitcoin vai substituir o dinheiro FIAT, o dinheiro tradicional, os estados não vão permitir que moedas como a bitcoin sejam a regra. A China já tem a sua própria criptomoeda e conseguem fazer algo que as criptmoedas que existem não conseguem".

Da lista de curiosidades final, disse ainda que Barbara Corcoran é a sua tubarão do Shark Tank preferida. Porquê? Assim que entra alguém na sala, ela percebe logo se será fácil trabalhar com essa pessoa, analisa personalidades como ninguém".

Cuban mostrou ainda no seu escritório uma camisola de Dennis Rodman, quando atuou nos Dallas Mavericks, com o número 69, que foi proibida pela NBA.

João Tomé é jornalista do Dinheiro Vivo

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