Marcelo: "Rejeitar orçamento e antecipar eleições esvaziam reconstrução do País"

O Presidente da República dramatiza o momento dos fundos europeus. É crucial aproveitar bem e ao máximo o dinheiro novo e há perigos à espreita: "reconstrução social será mais lenta do que a económica e sobrará além de 2023", alertou.

A reconstrução económica e social do País exigirá estabilidade política e não poderá ser atingida, para não dizer esvaziada, por crises, como um orçamento rejeitado, eleições antecipadas ou vicissitudes governativas e institucionais", avisou o Presidente da República (PR), esta terça-feira, no encerramento da conferência do Tribunal de Contas português e do seu homólogo europeu.

O evento de dois dias foi dedicado aos fundos europeus e deu ênfase ao novo Plano de Recuperação (PRR), que supostamente vai servir para tirar Portugal (e os outros países da União Europeia) da crise pandémica.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, agora "estamos a viver a transição que marca o caminho para o fim da pandemia".

"A reconstrução económica deverá ser mais do que remendar aquilo que a pandemia fez perder ou adiar". Para o PR, o que falta fazer para reconstruir e ter uma nova economia "demorará anos" e "por isso 2022 e 2023 serão decisivos". São os primeiros anos do grande fluxo de fundos europeus, boa parte deles a fundo perdido.

Ainda assim, o Presidente considera que há perigos à espreita. Por exemplo, "a reconstrução social será mais lenta do que a económica e sobrará além de 2023". Isso coloca pressão nos próximos sufrágios, sobretudo nas eleições legislativas de 2023, acenou Rebelo de Sousa.

"Caberá aos portugueses dizerem em 2023, através do seu voto, o que querem. Ainda vão a tempo de escolher continuar o mesmo caminho ou fazer caminho com alterações em 2024".

Neste caminho, insistiu, não deve haver lugar "aos que se opõem a criar alternativas". Por isso, até às legislativas de 2023, Marcelo diz que tudo fará para evitar "problemas políticos que prejudiquem a recuperação económica e social. "Já basta o que resta de pandemia e as crises económicas", desabafou.

O diagnóstico de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a situação e o passado recente de Portugal, até mesmo às vésperas da pandemia, foi algo duro e contrastou com a narrativa positiva do governo.

Para o PR, além da pandemia, Portugal ainda está a tentar refazer-se de "sete anos de crises" e de "20 anos de afastamento face à Europa".

Como referido, o Chefe de Estado disse que "a reconstrução exigirá estabilidade política e por isso não poderá ser atingida, para não dizer esvaziada, por qualquer crise como um orçamento rejeitado, eleições antecipadas ou vicissitudes governativas ou institucionais".


A questão é que "os fundos europeus têm prazo muito curto de utilização", "têm de ser aproveitados, bem geridos, geridos com transparência, respeitando a lei e a constituição".

O PR diz que tudo fará para acabar com a "má gestão, fraude e corrupção" e avisou que no fim disto tudo e de se gastar o dinheiro "todos os envolvidos terão de apresentar contas".

"A tarefa que vamos ter entre mãos não é nada fácil", rematou.

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