Marcas tentam escoar stock com saldos

Em tempos de pandemia, uma das dificuldades das marcas de vestuário tem sido a gestão de material acumulado

Depois de meses em que as lojas físicas estiveram encerradas ou com limitações de horários e de capacidade, muitas retalhistas de moda e calçado estão com promoções. Tentam assim evitar ficar com mercadoria em stock que podem bem ter passado de moda na próxima coleção.

O El Corte Inglés prefere manter as tradições e avançar com saldos no fim de temporada. "Os saldos são promoções únicas, aliás, são as campanhas de redução de preço mais importantes para o comércio em geral (ou pelo menos assim tem sido nas últimas décadas). Para os grandes armazéns também assim é. Sejam os saldos de verão, sejam os de inverno, ambos respondem à dupla necessidade de dinamizar as vendas e, simultaneamente, escoar os produtos de temporada, para dar lugar às novas coleções", diz o El Corte Inglés ao Dinheiro Vivo.

Com a pandemia, as vendas online cresceram, mas as lojas, quer de rua quer nos centros comerciais, estiveram sujeitas a limitações e restrições. E se muitos podem ter acautelado a incerteza que os meses de pandemia trouxeram, com encomendas à indústria abaixo dos níveis de antes da covid, a verdade é que uma passagem rápida pelos centros urbanos permite perceber que são casos raros as lojas que não estão com descontos ou saldos.

"No setor da moda, há que gerir, há que planificar, há que comprar, há que repor stocks e sobretudo há que escoar o que existe em loja, de forma que não seja necessário vender produtos em épocas a que não correspondam", diz Lourdes Fonseca, presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS). "Um dos custos desta pandemia é a dificuldade de gestão de stocks, que acarreta para os empresários uma sobrecarga financeira", acrescenta.

O El Corte Inglés assume que quando estiveram de portas fechadas tiveram de "fazer um grande esforço de redimensionamento do canal online e, ao mesmo tempo, de gestão de mercadoria". Reconhecem que "foi difícil" e que "sofremos muitas perdas, mas o nosso objetivo agora é olhar para o futuro e para a qualidade e serviço que queremos continuar a prestar aos nossos clientes, criado ainda mais pontos de contacto".

Com o verão ainda a caminhar para o pico e com os portugueses a entrar de férias, os lojistas tentam piscar o olho com compras de estação. "Temos feito muitas campanhas promocionais para animar as vendas. Porém, os saldos são uma campanha recorrente. Durante a pandemia as lojas físicas têm sofrido grandes constrangimentos de horário e de funcionamento, e chegaram mesmo a encerrar durante longos períodos", acrescenta o El Corte Inglés.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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