Mais de duzentos trabalhadores já saíram dos Correios

O plano de reestruturação "segue a bom ritmo", diz Francisco Lacerda. Lucros do operador postal recuam quase para metade no primeiro trimestre.

Duzentos e vinte e quatro trabalhadores já saíram dos CTT no âmbito do plano de convite à rescisão por mutuo acordo aberto pela companhia em novembro: 161 fecharam acordo ainda no ano passado e 63 já este ano. Em três meses, o plano de reestruturação da companhia "segue a bom ritmo e excede as expectativas", assegura Francisco Lacerda, CEO dos CTT. "Ao fim do primeiro trimestre já asseguramos 85% das poupanças que tínhamos previsto ao longo deste ano", destaca o gestor.

Os lucros recuaram 48,2% para 5,4 milhões de euros. Apesar do recuo para quase metade dos lucros, Francisco Lacerda destaca a estabilização das receitas do operador postal que fechou março com 176,9 milhões, refletindo o impacto do crescimento de proveitos do correio expresso (+21,8%, para 36,5 milhões) - "o mais forte crescimento desde a privatização" - e do Banco Postal. O banco, que fez dois anos a 18 de março, registou 5 milhões de receitas (+28,8%), refletindo integração da Payshop. Já os serviços financeiros sofreram uma queda de 37%, para 9,8 milhões. Para contrariar a evolução negativa, a empresa está, entre outras medidas, a desenvolver ações de comunicação, com a distribuição de folhetos nas caixas de correio, procurando com isso cativar novos clientes para os certificados de aforro, diz Lacerda. Abril poderá dar indicações que a situação poderá inverter-se com a colocação de produtos financeiros (excluindo seguros) a subir 15% face ao trimestre.

Já o tráfego postal recuou 9,1%, mas extraído o efeito da Páscoa (este ano em abril), teria recuado 6,1%, "acima do intervalo superior, 5% a 6% que tínhamos previsto", reconhece Francisco Lacerda, que destaca que esse impacto não se fez sentir nas receitas. Estas registaram "um recuo de apenas 0,8% [para 130 milhões], muito efeito do crescimento do tráfego do correio internacional de chegada [18,7%], em particular vindo da China, efeito do crescimento do comércio eletrónico. São pequenas encomendas que chegam em envelopes almofadados", explica o gestor. Com a entrada em vigor dos novos preços do correio a 2 de abril, as receitas deverão subir nos próximos trimestres.

Plano de reestruturação a "bom ritmo"

Francisco Lacerda faz um balanço positivo ao plano de reestruturação anunciado no final do ano passado e que previa, entre outras medidas, fecho de lojas, bem como a saída de até 800 pessoas, elevando para mil o número de trabalhadores que os CTT queriam cortar até 2020.

No âmbito do convite à rescisão aberto em novembro, até à data já saíram mais de duas centenas de trabalhadores. "O que demonstra a recetividade que a proposta tem vindo a ter", diz Lacerda. E a empresa, reforça, já garantiu no trimestre grande parte das poupanças previstas para este ano: o operador projetava poupanças de 13,8 milhões, tendo até ao fim de março já assegurado 11,7 milhões. No caso das saídas, a companhia excedeu até as poupanças previstas: tinha antecipado poupanças de 3,9 milhões e nos primeirps meses do ano já tinha assegurado 6,8 milhões.

Já a reorganização da rede de lojas, que levou ao encerramento até final de março de mais de duas dezenas de estações e sua substituição por pontos de acesso, assegurou apenas poupanças de 800 mil euros. Para este ano, os CTT antecipam 3,9 milhões de poupanças com a otimização da rede.

Até março, o operador postal CTT pagou 14,7 milhões de euros em "indemnizações relacionadas com o plano de transformação operacional (inclui 11,9 milhões já provisionados em 2017)", informa a empresa no relatório e contas. Deste montante, cerca de 3,7 milhões de euros são referentes "a indemnizações pagas no âmbito de processos de rescisão de contratos de trabalho por mútuo acordo, iniciados em 2018". Antecipando eventuais conflitos laborais, a companhia tem ainda registado até final de março uma provisão de 7,7 milhões, "para fazer face a eventuais contingências relativas a ações de contencioso laboral não incluídos nos processos judiciais em curso, relativos a diferenças retributivas que possam ser exigidas pelos trabalhadores".

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