Mais de 60% dos "ausentes" do trabalho devido à pandemia são mulheres

Perto de 644 mil trabalhadores estiveram sem teletrabalho ou idas ao emprego durante o segundo trimestre, segundo o INE.

A maioria dos trabalhadores que ficaram sem opção de trabalho remoto ou presencial nos primeiros meses agudos da pandemia foram mulheres, representando quase dois terços de perto de 644 mil ausentes do trabalho contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística no segundo trimestre.

No último inquérito ao emprego, relativo ao segundo trimestre e publicado ontem, o INE fez as contas ao número daqueles que tiveram opção de trabalhar em casa, mas também àqueles que - estando em lay-off ou por outros motivos - mantiveram vínculos de emprego, mas sem que pudessem exercer funções presencial ou remotamente.

Se o teletrabalho se generalizou, com cerca de 1,1 milhões de indivíduos em trabalho a partir de casa nos meses de abril a junho, uma boa parte da população empregada não teve essa opção ou sequer trabalho presencial. Foi assim para 643,8 mil trabalhadores, dos quais 401,7 mil mulheres, mostram os dados do INE. Ao certo, 62%.

Os resultados do inquérito especial apontam a situação da pandemia como grandemente responsável pelo afastamento dos locais de trabalho. Foram 491,5 mil os que não trabalharam explicitamente devido à covid-19, contra 152,3 mil que apontaram outras razões.

O relatório do INE não oferece uma análise detalhada para a prevalência das mulheres entre os ausentes do trabalho - sem dimensão igual, aliás, na realidade do teletrabalho, já que as mulheres foram 54% dos que mantiveram trabalho remoto.

Mas alguns fatores poderão ajudar a explicar este dado. Desde logo, a forte incidência do lay-off em setores com preponderância de mulheres entre os trabalhadores, como nas indústrias transformadoras, que registaram cerca de 113 mil ausentes no segundo trimestre. Por outro lado, foram as mulheres que mais se responsabilizaram pelos filhos menores devido ao encerramento das escolas. Segundo os dados da Segurança Social, houve até junho 162,7 mil mulheres a ficar em casa com apoios à família para poder cuidar dos menores, contra apenas 37,8 mil homens.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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