Linha de Cascais recebe primeiros 117 novos comboios

Maior concurso de sempre na ferrovia implica construção de nova oficina em Guifões, no concelho de Matosinhos

A linha de Cascais vai ter prioridade na chegada dos 117 novos comboios a Portugal, a partir de 2026. O maior concurso público de sempre para aquisição de material circulante, no valor de 819 milhões de euros, é lançado hoje em Guifões, concelho de Matosinhos, cinco meses após aprovação do Conselho de Ministros. As propostas que mais apostarem na produção nacional serão as mais valorizadas.

A maioria dos comboios (62) será utilizada nos serviços suburbanos da CP; os restantes 55 servirão para o serviço regional.

No ordem de chegada, "a prioridade é para os comboios suburbanos, em particular, os que se destinam à linha de Cascais", adianta ao Dinheiro Vivo o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

A linha cascalense será contemplada com 34 unidades. Irão substituir unidades com mais de 60 anos e que "dificilmente poderão ter alguma vida para lá desta substituição". Outras 16 automotoras vão reforçar a operação nas linhas de Sintra, Azambuja e Sado; haverá ainda 12 automotoras para os serviços urbanos do Porto.

No concurso há ainda a opção para encomendar mais 24 composições para a Grande Lisboa e outras 12 para o Grande Porto. A decisão terá de ser sempre tomada até 2028, caso "o crescimento de procura nos transportes públicos volte ao ritmo de 2019 [acima dos 10%]", devido à introdução do programa de apoio à redução do preço nos passes. Também nessa altura é expectável que já haja mais capacidade nas linhas das duas áreas metropolitanas do país.

As 55 novas automotoras elétricas para o serviço regional deverão substituir mais de 50 unidades da série UTE 2240, com mais de 50 anos de serviço. A última modernização foi feita entre 2003 e 2005 e levou estes comboios a ficarem conhecidos, entre os ferroviários, como "Lili Caneças".

Pedro Nuno Santos, no entanto, deixa em aberto que algumas das UTE 2240 possam ficar de reserva ou fazer serviços pontuais, "no caso de o seu ciclo de vida não estar completamente esgotado".
O concurso também vai valorizar a produção nacional: "A pontuação é tanto maior, quanto mais tarefas forem feitas em Portugal; no limite, a totalidade do fabrico", assegura Pedro Nuno Santos.

A encomenda também vai obrigar à construção de uma nova oficina em Guifões. No mínimo, esse local vai servir para a manutenção das 117 novas unidades por parte da CP.

Também será possível o fabrico das novas automotoras na nova oficina no concelho de Matosinhos, se o vencedor assim o quiser. A encomenda será atribuída apenas a uma empresa ou a um consórcio.

O concurso público também permitirá a participação de fabricantes não europeias (como a chinesa CRRC), ao contrário da encomenda de 22 novas automotoras para o serviço regional, 12 das quais híbridas.

O vencedor do concurso será conhecido no final do próximo ano, "se tudo correr bem, dentro dos prazos, sem impugnações judiciais". O ministro garante que "foram tomadas todas as medidas ao nosso alcance para que haja a maior transparência possível".

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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