Lançamento de novos projetos residenciais abranda para mínimos de 2015

Em Lisboa o ritmo de novos licenciamentos caiu 4% no segundo trimestre do ano, mas no Porto teve o crescimento mais forte dos últimos anos

O licenciamento de nova habitação aumentou 11% entre abril e junho deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o Índice de Pipeline Imobiliário (IPI) da Confidencial Imobiliário. Este indicador mede a evolução do volume de novos projetos de promoção imobiliária residencial em carteira.

Apesar do crescimento, trata-se do registo mais baixo desde 2015, ano em que o pipeline residencial cresceu, em termos homólogos, entre 30 a 50%, depois de uma estagnação de novos projetos entre 2011 e 2014.

A evolução do licenciamento de novos projetos é desigual na capital e no Porto. Na Área Metropolitana de Lisboa verificou-se uma queda de 4%, e na Área Metropolitana do Porto o pipeline residencial aumentou 56% , o crescimento mais forte dos últimos anos.

No entanto, sublinha a Confidencial Imobiliário, "enquanto na AM Lisboa as taxas de variação homólogas se têm situado predominantemente acima dos 65% desde 2017, no Porto, não tinham até ido muito além dos 45%".

Leia mais em Dinheiro Vivo a sua marca de economia

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...