Lagarde pede às pessoas que gastem as poupanças acumuladas na pandemia

Primeiro dia do Fórum BCE 2021, encontro de banqueiros centrais e economistas que costumava acontecer num palácio em Sintra desde 2014, formato que a covid interrompeu. Esta é a segunda edição anual virtual porque a pandemia ainda não acabou. Lagarde lança repto aos consumidores europeus: gastem as poupanças para dar força à retoma e aos salários.

A recessão da pandemia foi bastante diferente das outras, constatou, esta terça-feira, Christine Lagarde, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), na segunda edição virtual do Fórum BCE, que costumava decorrer em Sintra até a doença impedir a realização de eventos como este.

Neste primeiro de dois dias do Fórum, que é dedicado aos desafios da política monetária no pós-pandemia, Lagarde veio pôr um pouco de água na fervura em relação aos medos crescentes em relação à inflação.

Disse que o BCE vai ter calma com os juros, mesmo que a inflação dê sinais de aumentos grandes, mas localizados. "Não vamos reagir de forma exagerada", avisou.

E revelou que, de acordo com novos estudos analisados pelo Banco, os consumidores da zona euro vão tender a comportar-se de maneira ainda mais cautelosa aos estímulos de consumo à medida que a retoma vai ganhando forma.
Lagarde observa que isto é um entrave sério à retoma e pediu às famílias que considerem gastar mais das poupanças que acumularam durante a pandemia e aos decisores de política que induzam mais otimismo nas pessoas com esse objetivo de agitar a despesa e o consumo num futuro próximo. Que gerem um ambiente de mais confiança, basicamente.

A banqueira central alertou que nesta primeira etapa da retoma (parte em 2021 e depois 2022) as pessoas vão mostrar que ficaram traumatizadas com as recessões passadas, o que deve levar a que apertem mais os cordões à bolsa.

Numa segunda etapa de retoma, "a partir do final de 2022", Lagarde espera que os políticos tenham feito o seu trabalho, aplicando uma bateria de medidas de promoção do investimento verde, tecnológico e do emprego, e que isso "produza um círculo virtuoso, em que as pessoas se tornem mais otimistas", referiu a economista e advogada francesa.

Mas isso é lá para 2023. Até lá, o cenário é mais contido, menos otimista.

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