Kristalina Georgieva nomeada diretora-geral do FMI

A búlgara, de 66 anos, era a única candidata ao cargo. O mandato tem a duração de cinco anos e começa a 1 de outubro. "A minha prioridade imediata na liderança do FMI será ajudar os países membros a minimizarem o risco de crise e a prepararem-se para enfrentar a desaceleração económica", afirmou Kristalina Georgieva.

A búlgara Kristalina Georgieva tornou-se esta quarta-feira a segunda mulher a ser nomeada diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou o Conselho de Administração da instituição em Washington.

Georgieva, 66 anos, era a única candidata ao cargo e beneficiou de uma mudança nos estatutos do FMI relativa ao limite de idade, permitindo que a sua candidatura fosse válida.

O seu mandato no FMI terá uma duração de cinco anos e começa a 1 de outubro.

Com a saída da francesa Christine Lagarde da liderança do FMI, após oito anos como o principal rosto da instituição com sede em Washington, nos Estados Unidos, Kristalina Georgieva foi no início de agosto a escolha da Europa para lhe suceder.

"Assumo as minhas novas funções consciente dos grandes desafios que tenho. O crescimento económico mundial continua a dececionar, as tensões comerciais persistem e o peso da dívida é maior em muitos países", declarou Georgieva citada num comunicado.

"Neste contexto, a minha prioridade imediata na liderança do FMI será ajudar os países membros a minimizarem o risco de crise e a prepararem-se para enfrentar a desaceleração económica", acrescentou a economista.

A nova diretora-geral do FMI assume funções numa altura em que a economia mundial dá sinais de um enfraquecimento, em particular na Europa, e num contexto de guerra comercial entre China e Estados Unidos.

A crise económica na Argentina será outros dos assuntos que vai enfrentar no curto prazo, numa altura em que as críticas ao FMI se multiplicam depois de ter concedido ao país no ano passado um empréstimo de 57 mil milhões de dólares e já ter desembolsado 44 mil milhões.

Kristalina Georgieva tem uma sólida experiência em finanças internacionais, beneficiando também do estatuto de mulher e cidadã de um país da Europa oriental.

Foi a diretora executiva do Banco Mundial

No Banco Mundial, onde fez a maior parte da sua carreira e do qual se tornou diretora executiva em 2017, ganhou experiência no dossier do ambiente, ao desempenhar funções nas áreas do desenvolvimento sustentável, especialmente, questões agrícolas.

A economista também desempenhou o cargo de comissária europeia para a Ajuda Humanitária, entre 2010 e 2014, quando teve de substituir a inicial candidata da Bulgária.

Kristalina Georgieva também assumiu o cargo de vice-presidente da Comissão Juncker, entre 2015 e 2016, como responsável pelo Orçamento e Recursos Humanos.

Adquiriu uma reputação de alta funcionária enérgica e tenaz, podendo ser dura ao defender dossiers que considere extremamente importantes, de acordo com um diplomata citado pela agência France-Presse.

Recentemente, Kristalina Georgieva foi nomeada como possível sucessora do polaco Donald Tusk na presidência do Conselho Europeu, cargo que acabou por ser atribuído ao belga Charles Michel no início de julho.

Em 2016, a diplomata que fez valer as suas capacidades de persuasão e conseguir consensos, foi finalista inesperada na eleição para o cargo de secretário-geral da ONU, atribuído, no final, ao português António Guterres.

Kristalina Georgieva completou 66 anos no dia 13 de agosto, ultrapassando o limite de idade de 65 anos imposto pelos estatutos do FMI desde 1951.

Processo de nomeação fica concluído a 4 de outubro

Contudo, a 5 de setembro, o FMI anunciou a aprovação de uma reforma dos estatutos que retira o limite de idade para o cargo de diretor-geral da instituição, removendo o último obstáculo à nomeação da candidata búlgara.

O FMI anunciou que o Conselho de Administração da instituição vai realizar reuniões com a Georgieva para uma nomeação que deverá estar concluída até ao dia 4 de outubro.

Em criança, era descrita como uma menina que não tirava os olhos dos livros. O pai Ivan trabalhava na construção de estradas na Bulgária comunista onde Kristalina Georgieva nasceu em 13 de agosto de 1953, o ano da morte de Estaline.

Nos tempos de estudante, a jovem tranquila tornava-se "a estrela e a alma das festas" para as quais levava a viola, segundo o testemunho de Borislav Borisov, um antigo colega da universidade que também a descreveu como "querida" por todos.

Kristalina Georgieva é fluente em russo e desenvolveu boas relações com Moscovo durante os anos como diretora para a Rússia do Banco Mundial, entre 2004 e 2007, tendo ingressado na instituição em 1993, depois de alguns anos no ensino, nomeadamente no prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

Georgieva nunca foi eleita para qualquer cargo político no seu país. Kristalina Georgieva, do Partido Popular Europeu (PPE), é casada e tem um filho.

Lagarde, a primeira mulher a liderar o FMI, deixa o cargo para substituir Mario Draghi como presidente do Banco Central Europeu (BCE).

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