Jorge Tomé pede auditoria "a venda desastrosa"

Ex-CEO do Banif acusa governador do Banco de Portugal e diz que solução irá servir para recapitalizar Fundo de Resolução.

"Resultado desastroso". Foi desta forma que o ex-presidente do Banif qualificou a medida de resolução e venda do Banif decidida pelo Banco de Portugal (BdP). Em entrevista ao programa Negócios da Semana da SIC, Jorge Tomé afirmou que a solução servirá para "recapitalizar o Fundo de Resolução" e lançou um desafio: a realização de uma auditoria à venda em curso e outra auditoria à resolução e comparar as diferenças.

"Foi uma decisão completamente inesperada e o resultado foi desastroso. Soubemos através da comunicação social", revelou o responsável. Jorge Tomé explicou que "tinha sido aberto um concurso para a venda da posição do Estado no final de novembro, que seguiu o modelo com o apoio e desenho do BdP. Havia um prazo para entrega de propostas, 18 de novembro". Por isso, se tivesse tido mais "3 ou 4 dias para negociar com os quatro interessados, haveria uma proposta que evitaria a resolução", garantiu.

O ex-presidente do Banif foi mais longe ao afirmar que "o Fundo de Resolução vai ser recapitalizado". Como? "Os ativos transferidos para o veículo Naviget vão ser vendidos e vão criar mais-valias, logo vão recapitalizar o Fundo. Quanto à notícia da TVI, que considerou ser "um episódio lamentável e criminoso", o banqueiro diz ter "penalizado o banco que perdeu mil milhões de euros em depósitos em apenas cinco dias".

"Não há buraco nenhum nas contas. As contas estavam direitinhas e limpinhas", garantiu Jorge Tomé, salientando que as contas eram auditadas e validadas com a concordância do BdP, além de que o Banif era acompanhado de perto por dois administradores do regulador e por uma comissão das Finanças. Os ataques à Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e ao BdP foram uma constante, salientando que a primeira entidade "tinha um estigma quanto ao Banif e nunca quis que fosse capitalizado", enquanto que o "BdP defende-se muito das instâncias europeias, mas não podemos andar sempre a esconder-nos atrás de biombos". "Acho que deve ser feita uma auditoria à venda e à solução e comparar as diferenças", desafiou Jorge Tomé.

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