Investidores estrangeiros prometem criar 3 vezes mais emprego agora do que antes da pandemia

Portugal sobe dois lugares no ranking da consultora EY sobre a capacidade de atrair IDE. Economia digital, energias limpas, construção e imobiliário são os setores mais apetecíveis. Estados Unidos, Alemanha e França lideram.

A criação de emprego associada a projetos de investimento direto estrangeiro (IDE) deverá triplicar face aos níveis registados antes da pandemia, avança um estudo da consultora Ernst & Young (EY) relativo à situação em 2021, divulgado esta terça-feira.

A economia portuguesa subiu dois lugares no ranking da capacidade de atrair investimento, ocupando agora o 8.º lugar na Europa.

Na nova edição do inquérito aos investidores sobre a capacidade de Portugal atrair investimentos (estudo de 2022, mas com referência a investimentos pronunciados em 2021), os consultores concluem que "o IDE em Portugal realizado em 2021 tem potencial para gerar cerca de 28 mil postos de trabalho", valor que será três vezes maior do que o imputado aos projetos de IDE manifestados em 2019 (relatório de 2020).

Nessa altura, no EY Attractiveness Survey Portugal 2020, o número de empregos envolvidos nos novos projetos (anunciados em 2019) ascendeu a 12.549.

No entanto, também nessa altura, a EY considerou que a pandemia estava a ter um efeito depressor nos projetos de IDE revelados em 2019, "estimando que, dos 158 anunciados, aproximadamente 20% podem estar em risco de serem adiados, fortemente ajustados ou cancelados", reduzindo o volume de empregos.

Assim, a nova leitura que aponta agora para 28 mil postos de trabalho será o triplo face ao efetivamente observado no universo de IDE anunciado antes da pandemia, em 2019.

E, naturalmente, muito acima dos 8947 postos de trabalho enunciados no inquérito de 2021 (que refletia as opiniões dos investidores em 2020).

Neste ano de embate inicial e brutal da pandemia nas economias, o número de empregos do IDE previstos pelos gestores estrangeiros cairia a pique, claro.

Cenário favorável, fundos europeus, etc.

Atualmente, o cenário apresentado pela EY volta a ser muito mais favorável. Apesar da conjuntura difícil, com guerra e aumento de taxas de juro.

Portugal beneficia de um conjunto de condições de feição para o investimento: há o Plano de Recuperação e Resiliência (que ascende a 16 mil milhões de euros, mais o novo quadro de fundos europeus clássicos (PT2030), que vale perto de 23 mil milhões de euros.

Todo este volume enorme de verbas públicas está a contar com a adesão de investimento dos privados, num objetivo dito "nacional" que é elevar a economia para um patamar mais sofisticado, inovador, menos dependente de petróleo e gás.

Segundo a EY, este novo inquérito mostra que Portugal pode acolher "um número recorde de 200 projetos de IDE" (manifestação de intenções em 2021), subindo assim "dois lugares no ranking de atratividade elaborado pela EY junto de investidores estrangeiros".

A economia portuguesa "ocupa agora a 8.ª posição entre as economias europeias mais atrativas para IDE", acrescenta a consultora. Fica à frente da Polónia e da Irlanda, os últimos do top-10 em atração de IDE elaborado pela EY.

O mesmo estudo revela que, "nos próximos meses, 62% dos investidores planeiam criar ou expandir operações em Portugal" e que o país "alcançou em 2021 uma fatia de 3,4% do total de projetos de IDE anunciados para a Europa, com 200 projetos, o que representa um aumento de 30% face aos 154 contabilizados no ano anterior".

"Os setores da economia digital, energias limpas e renováveis, e construção e imobiliário continuam a ser as áreas em que os investidores depositam as maiores expectativas de crescimento nos próximos anos", acrescenta.

"Alemanha e Estados Unidos da América são os principais países de origem de empresas estrangeiras que investem em Portugal, cada um com 30 projetos anunciados em 2021", detalha a EY. Os EUA lideram com 15% do número de projetos de IDE (cerca de 30), segue-se a Alemanha (15%, 30 projetos) e França (14,5% ou 29).

No inquérito, 60% dos investidores disse que "acredita que a atratividade de Portugal irá melhorar no decurso dos próximos três anos".

Trunfos e trabalhos de casa

Os fatores mais destacados como trunfos ("diferenciadores") de Portugal aos olhos dos investidores foram "estabilidade social, qualidade de vida e talento adaptado às necessidades dos investimentos".

"As projeções de crescimento são mais favoráveis para Portugal do que para a média da União Europeia para os próximos dois anos. A economia digital continua a ser um setor em que os investidores depositam grandes expectativas, assim como os setores das renováveis e real estate [imobiliário]", explica Miguel Cardoso Pinto, um dos sócios da EY Portugal que assinam o estudo.

Claro que há dimensões a melhorar, dizem os investidores externos : "A simplificação do sistema fiscal que promova o IDE" e "políticas de atração e retenção de talentos".

Por exemplo, nas áreas em que Portugal suscita grande interesse internacional, cerca de metade dos investidores acenou que é preciso medidas para prevenir, a prazo, a falta de "talentos especializados em tecnologias da informação (desenvolvimento de software e programação)" e "especialistas em investigação e desenvolvimento (I&D)".

jornalista do Dinheiro Vivo

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