Restauração e alojamento querem 40 mil trabalhadores

Há investimentos a serem travados pela falta de mão-de-obra para profissões de nível mais baixo e intermédio

O turismo tem criado milhares de empregos, mas o ritmo de crescimento que o setor tem registado leva os empresários da restauração e do alojamento turístico a prever que sejam necessários 40 mil novos trabalhadores. Mas a oferta é escassa e as empresas debatem-se com dificuldades em encontrar mão-de-obra. A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) estima que cerca de metade das empresas da restauração tenham falta de pessoal e avisa que esta situação está a travar novos investimentos.

Faltam empregados de mesa, empregados de bar, copeiros, ajudantes de cozinha, empregados de quarto. A escassez, segundo a secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, sente-se sobretudo nas profissões de nível intermédio e mais baixo. "A nota que os empresários nos passam é que têm negócios para abrir e que não o fazem porque não têm recursos humanos suficientes", afirmou ao DN/ Dinheiro Vivo Ana Jacinto. O setor, refere, precisa "urgentemente de mão-de-obra, mesmo que menos qualificada".

Esta dificuldade em cativar trabalhadores para um setor que está a bater recordes consecutivos desde que Portugal se despediu do programa de ajustamento financeiro, "está a colocar em risco investimentos e o bom funcionamento das unidades" e é sentida por cerca de 50% das empresas de restauração.

Este é um dos dados que a AHRESP consegue extrair do inquérito que está a promover e cujos resultados completos serão divulgados nas jornadas sobre a evolução do mercado de trabalho que vão decorrer na próxima terça-feira e que contarão com a presença do primeiro-ministro e do ministro do Trabalho.

"Tínhamos já recebido vários alertas e, para perceber a dimensão do problema, fizemos um questionário", precisa Ana Jacinto. O mesmo inquérito dá conta de que a restauração e bebidas e o alojamento turístico precisam de cerca de 40 mil novos trabalhadores a somar aos cerca de 53 mil empregos criados entre o terceiro trimestre de 2016 e o mesmo trimestre de 2017.

Ana Jacinto reconhece que a prática salarial que é genericamente apontada ao setor pode não ajudar a cativar o interesse, mas lembra os passos que recentemente foram dados com o objetivo de "valorizar e tornar mais atrativas" as funções para as quais se sente mais a falta de mão-de-obra.

Entre esses passos sobressai o acordo coletivo assinado entre a AHRESP e os sindicatos afetos às duas centrais sindicais - que inclui pela primeira vez a possibilidade de as progressões na carreira serem com base na avaliação de desempenho e não na antiguidade. E também o reforço da formação e a adaptação dos currículos - um trabalho que, refere a responsável da AHRESP, está a ser levado a cabo pelo Turismo de Portugal. Saliente-se que Luís Araújo presidente do Turismo de Portugal estabeleceu a qualificação da mão-de-obra como um dos grandes desafios a ultrapassar em 2018. A dignificação e a valorização das profissões ligadas ao setor do turismo é, de resto, um dos temas em destaque nas jornadas. Em debate estarão também soluções para combater o problema das empresas em manter os trabalhadores na profissão, sobretudo nas zonas onde a sazonalidade mais influencia o que ganham. O Algarve continua a ser das regiões mais afetadas, uma vez que o perfil do novo turismo em Porto e Lisboa permite ultrapassar este fenómeno.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.