Chineses da HNA podem ficar indiretamente com 20% da TAP

Empresário Humberto Pedrosa e ministro Pedro Marques explicaram acordo de compra e venda de ações da transportadora aérea

O Governo e a Atlantic Gateway assinaram ontem o acordo de compra e venda de ações da TAP, que permitirá ao Estado ficar com 50% do capital da transportadora aérea, o qual foi explicado hoje, numa conferência de imprensa, pelo ministro Pedro Marques e por Humberto Pedrosa, em representação da Atlantic Gateway.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas considerou que o acordo corresponde a uma estabilização definitiva da empresa.

"O mais importante é que estes instrumentos correspondem à estabilização definitiva da empresa no seu novo formato", afirmou Pedro Marques em conferência de imprensa, acrescentando que o futuro estratégico da companhia aérea portuguesa terá uma palavra do Estado português.

O empresário Humberto Pedrosa, do consórcio Atlantic Gateway, admitiu que a empresa chinesa Hainan Airlines (HNA) pode vir a ficar com uma participação de 20% do capital da TAP.

Na conferência de imprensa, Pedrosa adiantou que a HNA vai entrar no capital da Azul (companhia do brasileiro David Neelman que integra a Atlantic Gateway), que subscreveu obrigações na TAP que poderão ser convertíveis em ações. Esta participação indireta rondará os 13%.

Ao mesmo tempo, adiantou, a HNA vai entrar no capital da Atlantic Gateway com uma participação na ordem dos sete por cento.

"Se juntarmos esses 13% aos 7% que [a HNA] vai ter na Atlantic, poderá chegar aos 20%", disse Humberto Pedrosa aos jornalistas.

Sobre a participação chinesa no capital da TAP, o ministro Pedro Marques afirmou apenas que há a expetativa de se conseguir uma aproximação a Oriente para ter "tão cedo quanto possível" uma ligação a essa zona, em concreto a Pequim.

A conferência de imprensa, que decorreu com a presença do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, serviu para dar conta dos termos do acordo entre o Governo e a Atlantic Gateway de compra e venda de ações da TAP, que permitirá ao Estado ficar com 50% do capital da transportadora aérea.

"O Estado e a Atlantic Gateway celebraram o Acordo de Compra e Venda de Ações e o Acordo Parassocial e de Compromissos Estratégicos previstos no Memorando de Entendimento para a reconfiguração dos termos e condições da participação do Estado português na TAP", referia ontem uma nota do gabinete do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

Na quinta-feira, o ministro Pedro Marques já tinha garantido que o novo contrato de privatização da TAP seria assinado no sábado.

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP (em vez de 34% como previa o acordo anterior), resultado das negociações com o consórcio Gateway, que tinha 61% do capital da companhia e que agora fica com 45%, podendo chegar aos 50%, com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

O Estado compromete-se a não deter uma participação superior a 50% na TAP, que ficará na posse da Parpública, passando a nomear o presidente do Conselho de Administração da empresa, composto por 12 elementos - seis escolhidos pelo Estado e seis pelo consórcio privado.

Já a comissão executiva mantém-se com três membros, nomeados pelos acionistas privados, sendo liderada por Fernando Pinto.

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