CUF travou suspensão depois de ADSE aceitar negociar preços

Se não chegar a acordo até junho, grupo liderado por Salvador de Mello deixa definitivamente o subsistema.

Foi uma prova de boa vontade de parte a parte que permitiu que fossem retomadas as negociações entre a José de Mello Saúde (JMS), dona dos hospitais CUF, e o subsistema de saúde do qual beneficiam os cerca de 1,2 milhões de funcionários públicos e pensionistas do Estado que para ele descontam.

Depois de um mês de braço de ferro, a ADSE aceitou enfim negociar uma nova tabela de preços com os privados e a CUF interrompeu a suspensão dos acordos, anunciada a 11 de fevereiro e que impediria o atendimento destes doentes dentro do contrato estabelecido com aquele subsistema de saúde, a partir de 12 de abril.

"Apesar das diferenças que ainda separam ambas as entidades, a JMS reconhece o empenho que o Conselho Diretivo da ADSE e as suas tutelas têm colocado no progresso destas conversações", escreve Salvador de Mello, revelando aos colaboradores do grupo que lidera que há uma colaboração ativa "na construção dos critérios que permitam funcionar num regime de equilíbrio e previsibilidade até à introdução de uma nova tabela".

Mas nada está ainda fechado. Pelo contrário, conforme a José de Mello Saúde esclarece no comunicado hoje enviado aos trabalhadores, noticiado pelo Expresso nesta manhã e a que o Dinheiro Vivo teve acesso, se não houver acordo entre Estado e privados até ao fim do semestre, o acordo acaba de vez.

"A ADSE confirmou que irá apresentar, ainda durante o mês de março, uma proposta de nova tabela para entrar em vigor até ao final de junho, removendo a imprevisibilidade e eliminando a regra das regularizações. É expectativa da JMS que a nova tabela tenha em consideração a sustentabilidade de todas as partes e contemple a futura correção monetária pela inflação que se vier justificar. A não denúncia das convenções nesta data assenta na fundada expectativa de que a nova tabela entre em vigor no curto prazo", sublinha o responsável do grupo CUF.

O presidente dos hospitais CUF é ainda claro ao estabelecer que apenas com a adoção de uma nova tabela de preços será possível "assegurar os superiores interesses dos beneficiários, garantindo-lhes acesso a cuidados de saúde com elevados padrões de qualidade e segurança, consistentes com a medicina atual".

Ou seja, se até junho não houver uma tabela de preços que agrade aos privados e seja aceite pela ADSE, a JMS avançará então já não para nova suspensão mas para a denúncia direta dos acordos.

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