Companhias aéreas contratam em força em Portugal

Só a TAP prevê contratar mais 700 pessoas neste ano. A Emirates e a Ryanair realizaram nesta semana sessões de recrutamento

Vontade de mudar de vida. Ter um trabalho em que posso viajar, conhecer novas culturas e ter um salário relativamente bom. Foram estas as razões que levaram Maria (nome fictício) a apresentar-se neste sábado no open day que a Emirates realizou em Lisboa, destinado a contratar tripulantes.

E centenas de outros jovens podem realizar o mesmo sonho. As companhias aéreas, à boleia do boom turismo, estão em força no mercado à procura de profissionais que lhes permitam oferecer novos destinos e reforçar as rotas com maior procura.

Só a TAP pretende contratar 700 pessoas neste ano para várias funções, incluindo tripulantes de cabina e pilotos. Na sexta-feira, a Ryanair já tinha realizado no Porto a última ação de recrutamento, de uma série de várias que fez por todo o país, para tripulantes de cabina. A Emirates, uma companhia aérea com sede no Dubai e que conta já com com 550 portugueses nos seus quadros, também procura tripulantes de cabina.

"Esta estratégia de recrutamento traduz o reflexo do que tem sido o crescimento da TAP, com aumento de frota e lançamento de novas rotas", reconhece fonte oficial da TAP. A companhia de bandeira nacional contratou 1500 pessoas nos últimos três anos. E quer reforçar neste ano em "áreas de suporte ao negócio, mas sobretudo para áreas técnicas e de voo, como tripulantes, pilotos, técnicos de manutenção de aeronaves", explica. A TAP tinha anunciado recentemente que pretendia reforçar os seus quadros com cerca de 170 pilotos e 300 tripulantes.

A easyJet, que tem uma equipa em Portugal de 349 pessoas, das quais 235 portuguesas, recrutou 193 funcionários em Portugal nos últimos três anos. No início do mês, veio ao Porto à procura de comandantes experientes com quatro mil horas de voo, com ou sem experiência de comando. A companhia aérea low-cost desenvolve estas ações "porque, além de termos bases em Lisboa e no Porto, os portugueses são profissionais exímios", diz José Lopes, diretor da empresa. Admite continuar a contratar em Portugal.

Com o turismo a levantar voo para números recorde, as companhias aéreas não querem perder o acesso a uma fonte de receitas em expansão. O turismo cresceu 6% no ano passado, de acordo com os dados da Organização Mundial do Turismo; e a organização das Nações Unidas prevê que neste ano vá aumentar mais 3% a 4%.

Em Portugal, o número de passageiros no transporte aéreo bateu o recorde de 52,8 milhões em 2017, mais 16%. Dos quais só 26,67 milhões em Lisboa, superando as metas de capacidade do aeroporto.

Petróleo dita travagem a fundo?

No ar há, no entanto, um novo desafio: os preços do petróleo estão a subir, aproximando-se dos 80 dólares o barril, agravando a fatura dos combustíveis. "O combustível é um dos maiores fatores de custos na aviação. Obviamente, uma subida do preço do petróleo como aquela a que assistimos tem impacto muito forte nas contas de exploração da TAP." O negócio da aviação gerou à companhia, no ano passado, lucros de 100,4 milhões de euros, bem acima dos 33,5 milhões de 2016.

A modernização da frota é uma das respostas para fazer face a este cenário. "No total, serão 71 novos aviões que chegarão à TAP até 2025, bastante mais eficientes em termos de consumo de combustível. O efeito desta renovação não é imediato, pelo que é necessário ganhar eficiências e fazer mais por menos em todas as áreas da companhia, de modo a compensar a atual e eventuais futuras subidas do preço dos combustíveis". Ainda há dias Michael O"Leary, presidente executivo da irlandesa Ryanair, em entrevista à CNBC, pintou um cenário cinzento. "Claramente, o petróleo a 80 dólares por barril vai provocar vítimas na Europa neste inverno."

A easyJet não está tão pessimista. "Para uma companhia financeiramente sólida e robusta como a easyJet, a subida do preço do petróleo não terá um grande impacto na operação. A proteção proveniente da nossa estratégia de hedging permite-nos repassar esse benefício para os nossos clientes", assegura José Lopes.

A aviação comercial está a viver um bom momento e tanto a TAP como a easyJet assumem que não pretendem travar as contratações. "A TAP tem uma estratégia de crescimento em termos de frota e de novas rotas e voos, e essa expansão não é possível sem aumentar também o número de tripulantes e outros quadros ao serviço da empresa".

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