Cerco aperta. Facebook já perdeu na bolsa cem mil milhões

As autoridades americanas estão a investigar as práticas de privacidade da rede social. Ações voltaram a tombar na Bolsa de Nova Iorque.

Aperta-se o cerco ao Facebook. A Comissão Federal de Comércio dos EUA, que assegura a defesa dos consumidores, abriu uma investigação à rede social para averiguar se a empresa praticou atos injustos que causaram danos substanciais aos utilizadores. A reação em bolsa não se fez esperar. As ações chegaram a descer ontem mais de 6%, pela primeira vez desde julho abaixo dos 150 dólares.

Desde meados de março, quando rebentou o escândalo da Cambridge Analytica, o Facebook perdeu mais de cem mil milhões de dólares em valor de mercado. À hora de fecho desta edição os títulos moderaram a descida para 2,13%, valendo 156,02 dólares. As investigações e os pedidos de informação ao Facebook surgem depois de ter sido noticiado que a rede social permitiu o acesso indevido da Cambridge Analytica aos dados de 50 milhões de utilizadores, que terão sido usados para ajudar à eleição de Donald Trump.

Na semana passada, Mark Zuckerberg garantiu que a maior parte dos problemas que permitiram o caso Cambridge Analytica já estavam resolvidos. Mas os argumentos do fundador da rede social não tranquilizaram as autoridades nem os investidores. Além da abertura do inquérito nos EUA, também a União Europeia promete marcação apertada. A comissária europeia da Justiça, Vera Jourova, escreveu uma carta à diretora operacional do Facebook, Sheryl Sandberg, a exigir saber se houve dados de cidadãos europeus a serem afetados. A responsável pela pasta da Justiça europeia lamentou, na missiva citada pela Reuters, que "as informações oficiais do Facebook, incluindo do CEO, não tenham diminuído as preocupações". Bruxelas quer provas de que uma situação da Cambridge Analytica não vai voltar a repetir-se. Já o governo alemão defende que a rede social deve enfrentar regras mais restritivas e penalizações mais pesadas.

Anunciantes fazem dislike

A pressão das autoridades já é suficiente para assustar os investidores. Mas do lado dos anunciantes, a grande fonte de receita da máquina criada por Zuckerberg, começam a aparecer também sinais de desconforto. A associação que representa os anunciantes britânicos ameaçou, segundo o The Times, desaconselhar anúncios na rede social caso se prove que houve uso indevido dos dados dos utilizadores. E não está sozinha. O alemão Commerzbank suspendeu as suas campanhas até novos desenvolvimentos. E também a tecnológica Mozilla cancelou os anúncios no Facebook, citando preocupações sobre a privacidade dos dados.

A queda na popularidade na rede social não aparenta ter fim à vista. Até porque sites especializados defendem que o abuso na utilização de dados pode não se ficar pelo caso Cambridge Analytica. Surgiram já acusações de que o Facebook guardou indevidamente registos de chamadas telefónicas e SMS, algo que a rede social disse ter acontecido apenas a quem deu essa autorização específica.

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