BCE avisa: países ricos do Norte da Europa devem estimular a economia

Com as projeções económicas a piorar, presidente do BCE, Mario Draghi, pede políticas prudentes aos países com dívida pública elevada, como é o caso de Portugal. E recomenda o contrário aos países com espaço orçamental.

O recado vai direto para os países do norte da Europa que têm espaço orçamental para estimular as economias e puxarem pela economia da zona euro. As projeções do BCE são agora menos otimistas do que em junho e isso pede estímulos por parte dos Estados que têm capacidade orçamental.

"É tempo para a política orçamental tomar o seu lugar", afirmou Mario Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores desta quinta-feira, dia 12, em Frankfurt.

Em causa estão as novas projeções do staff do BCE que aponta para um crescimento anémico da economia maior do que a esperada em junho deste ano. "No que diz respeito às políticas orçamentais, a orientação ligeiramente expansionista da zona euro está a dar algum apoio à atividade económica", começou por explicar o presidente do BCE.

Mario Draghi esclareceu depois que "tendo em conta o enfraquecimento das perspetivas económicas e da contínua proeminência dos riscos negativos, os governos com espaço orçamental devem agir de maneira eficaz e oportuna."

Já para os países com dívidas públicas elevadas, como é o caso de Portugal, o líder do BCE pediu prudência. "Nos países onde a dívida pública é alta, os governos devem adotar políticas prudentes que criem condições para que os estabilizadores automáticos operem livremente", ou seja, em caso de crise económica, devem ter capacidade de resposta.

Principais medidas

O BCE decidiu reduzir a taxa dos depósitos dos bancos que parqueiam dinheiro no Banco Central de -0,4% para -0,5%, tentando estimular os empréstimos bancários. Além deste corte, o BCE decidiu retomar o programa de compra de ativos, através de uma espécie de quantitative easing 2.0. Da caixa de ferramentas da política monetária, Draghi tirou ainda o chamado tiering, com taxas de juro escalonadas para os bancos que depositam dinheiro em Frankfurt, isentando alguns bancos, consoante o montante.

"O Conselho de Governadores decidiu atuar já em vez de esperar", declarou Mário Draghi que falou de uma "maioria clara" entre os membros. "Uma das razões tem a ver com as expetativas para a inflação. É por isso que o Conselho de Governadores decidiu atuar agora, porque o valor está longe do mandato do BCE", esclareceu Draghi, acreditando que "este pacote é o adequado".

Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo.