As três grandes falências bancárias dos últimos anos - BPN, BES e Banif - vão implicar uma despesa superior a mil milhões de euros, mostra a proposta de Orçamento do Estado para 2018. É cinco vezes o gasto previsto para o descongelamento de carreiras dos funcionários públicos (211 milhões). Aquele valor também supera em 34% (mais 258 milhões) o valor inicialmente orçamentado para o ano corrente, cerca de 759 milhões..A despesa relativa ao universo BES aumenta 194%, totalizando 3,6 milhões de euros; a fatura relativa ao Banif engorda 90% e chega a 372 milhões; já o crónico legado do BPN pode vir a custar aos contribuintes mais 641,3 milhões de euros em despesa no ano que vem (mais 14% face ao orçamento em 2017), segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo..Ao todo, Mário Centeno, o ministro das Finanças, tem a tutela de 12 veículos financeiros que herdaram ativos tóxicos, problemáticos ou mais difíceis de rentabilizar dos três bancos referidos. O grosso (como, aliás, tem sido habitual nos últimos anos) vai para as três sociedades "par" que gerem ativos do antigo BPN, nacionalizado em 2008 (fará nove anos a 2 de novembro próximo, Dia de Finados) pelo então governo de José Sócrates..O BES implodiu em 2014 e o Estado ficou com a responsabilidade sobre cinco veículos financeiros que herdaram ativos do antigo grupo liderado por Ricardo Salgado. Já no final de 2015, seria a vez de o Banif capitular. Uma parte boa do negócio foi comprada pelos espanhóis do Santander, mas alguns restos menos bons permaneceram na esfera pública - o OE 2018 prevê despesa com quatro sociedades-veículo que gerem legados do banco criado por Horácio Roque..Tal como acontece todos os anos, não se conhece como está a correr a execução da despesa de todos estes fundos autónomos das Finanças (só com a execução de dezembro, a divulgar em janeiro de 2018, será possível ter uma ideia por alto e depois só em junho, com a Conta Geral do Estado do ano transato), mas é possível perceber que, face ao que foi orçamentado há um ano, a esmagadora maioria destas sociedades estão a aumentar despesa (pública)..O caso ex-Banif é o mais evidente pelo contributo que dá ao agravamento da despesa em 2018. A verba dedicada aos quatro veículos aumenta 90% (são mais 176 milhões de euros face ao que estava no OE 2017). Isto tem uma razão de ser: a dotação de despesa da Oitante sobe 80%, a da Banif Imobiliária cresce 145%, a da WIL - Projetos Turísticos dispara 3000%..Assim é, diz o governo, porque estas empresas têm de assumir "compromissos plurianuais" para conseguirem alienar ativos e recuperar créditos, para pagarem serviços de assessores financeiros e jurídicos e de empresas especializadas em gestão e alienação de imóveis. Será a forma de maximizar valor ou, pelo menos, de minimizar perdas para os contribuintes..A Oitante é a dona de ativos que o Santander não comprou (imóveis, por exemplo). A WIL gere "projetos turísticos", não abundando informação sobre quais e o que faz realmente. A Banif Imobiliária, que é da Oitante, também tinha uma carteira de imóveis para alienar..Já a despesa com o universo do ex-BPN sobe mais 80 milhões de euros (mais 14%) no OE 2018. Aqui estão as famosas sociedades "par"..No ano que vem, o Orçamento prevê 64,3 milhões de euros para a Parparticipadas (a holding que gere as participações do antigo BPN noutras empresas e fundos que gravitavam em torno do banco); 161,7 milhões para a Parups (que gere imóveis, obras de arte, moedas de coleção e instrumentos financeiros vários) e outros 415,3 milhões de euros para a Parvalorem (o fundo que tem a problemática carteira de créditos do BPN)..Uma vez mais, os gastos previstos com estas sociedades são para financiar recuperação de ativos, pagar juros e capital que vença (à CGD, por exemplo, um dos grandes credores do BPN), para apoiar a venda de imóveis, pagar contencioso e litigância em tribunais, entre outros problemas..Estes veículos financeiros são orçamentados como despesa, mas do outro lado do balanço está prevista receita que a suporta e até supera esses gastos. No entanto, isso vale pouco ou nada. No caso das sociedades "par" do ex-BPN, todos os anos há prejuízo anual efetivo para os contribuintes, depois de todas as contas feitas. Costuma ser à volta de 400 a 600 milhões de euros por ano. Ainda não se sabe o resultado de 2016. Em dezembro, o Tribunal de Contas revelará os números..Este novo OE contempla ainda cinco veículos ligados ao antigo BES, que valem mais 3,6 milhões em despesa orçamental. Quatro deles envolvem gastos relativamente pequenos - ES Tech Ventures, a empresa Praça do Marquês (que gere o edifício no Marquês de Pombal, em Lisboa, onde funciona o Espaço Novo Banco), a Quinta dos Cóne-gos - Sociedade Imobiliária e a Righthour, uma consultora que pertencia ao Fundo BES Growth (responsável por investimentos em resorts e imobiliário na Bahia, Brasil)..Ainda no universo Novo Banco, neste ano surgiu um quinto veículo, a GNB Concessões, que aparece com uma dotação de despesa de 2,3 milhões. É uma empresa que gere negócios rodoviários e parques de estacionamento (Auvisa - Autovia de los Viñedos, Ascendi, Empark)..O DN/Dinheiro Vivo perguntou às Finanças o porquê destes valores e dos aumentos das dotações, mas não obteve resposta.