Banco de Portugal já sabia de problemas na CGD desde 2011

Carlos Costa contraria Centeno e diz que não podia pedir a auditoria à Caixa.

A auditoria especial feita pela EY revelou problemas na concessão de crédito na Caixa Geral de Depósitos que resultaram em perdas acima de 1,2 mil milhões nos 25 financiamentos mais ruinosos. Mas o Banco de Portugal já tinha detetado essas irregularidades numa inspeção feita em 2011, revelou a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. Nessa altura, Carlos Costa já liderava o supervisor.

No entanto, o governador do Banco de Portugal, esta quarta-feira, na comissão de inquériro à CGD, defendeu que a Caixa não fez muito diferente do que aconteceu noutros bancos portugueses. Carlos Costa indicou que há mais bancos que tinham na lista de clientes os 25 devedores que mais perdas causaram no banco público. O problema era de todo o sistema e do "modelo de negócio. Era um problema de otimismo exagerado e concorrência exacerbada", disse.

O governador defendeu que não se podia olhar para os procedimentos antes da crise financeira com as regras que existem atualmente. E, apesar de não ter identificado situações anómalas na constituição de imparidades no banco, rejeitou responsabilidades nos 25 financiamentos que mais perdas causaram,

Carlos Costa foi administrador da CGD entre abril de 2004 e setembro de 2006. E participou em 10% das reuniões do conselho alargado de crédito, que aprovava as operações. O governador explicou, no entanto, que "só ocasionalmente participei quando era necessário ter quorum". E rejeitou que tenha aprovado empréstimos a Joe Berardo e a Manuel Fino que resultassem em perdas para o banco.

Poder para auditoria?

O ministro das Finanças tem criticado o Banco de Portugal por não ter querido assumir as rédeas do processo de auditoria. Carlos Costa tem pedido escusa das decisões relacionadas com a CGD devido a ter passado pela administração do banco. Mas confia nas decisões dos outros responsáveis do Banco de Portugal.

Ainda assim, depois de ter sido instruída pelo Governo, a CGD pediu ao Banco de Portugal que coordenasse o processo da auditoria. Mas o supervisor rejeitou. Aos deputados, Carlos Costa explicou que este tipo de auditoria não é sobre eventuais irregularidades a nível prudencial. Mas sim a atos de gestão.

Carlos Costa diz que "o Banco de Portugal não inspeciona modelo de gestão". Defende que essa é função do acionista, neste caso do Governo. Além disso, o governador diz que a evolução da supervisão europeia nos últimos anos tirou competências ao Banco de Portugal e que teria de ser o europeu Mecanismo Único de Supervisão a inspecionar a CGD.

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