Autoeuropa para produção. Falta peça que vem de fora

Negociações entre administração e comissão de trabalhadores só regressam em 2018. Amanhã é dia de plenários em Palmela

Falta uma peça de escape vinda de um fornecedor estrangeiro. Esta é a razão para a Autoeuropa vir a estar parada quatro dias, entre 26 e 29 de dezembro, apurou o DN/Dinheiro Vivo junto de fontes do setor. Esta será a segunda vez, em menos de 15 dias, que a fábrica de Palmela vai determinar dias de não produção por falta de peças. A informação foi revelada ontem durante a primeira reunião entre a comissão de trabalhadores e a administração após a imposição de horário a partir de 29 de janeiro.

"A paragem na Autoeuropa tem que ver com um fornecedor estrangeiro. Já não é a primeira vez que isto acontece desde que começou a montagem do T-Roc, em agosto", refere Daniel Bernardino, coordenador da comissão de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa. Na passada sexta-feira, a fábrica de Palmela também esteve parada por falta de material.

Com a paragem na última semana do ano, a Autoeuropa pretende dar mais tempo a este fornecedor para cumprir com o prazo de entrega das peças e evitar que a fábrica de Palmela tenha de declarar mais dias de não produção (down days) e que implicam o pagamento do dia de salário completo aos mais de 5700 operários.

A Autoeuropa informou que "retomará o normal ritmo de produção no turno da manhã do dia 2 de janeiro de 2018". Nessa altura, serão também retomadas as negociações entre a administração e a comissão de trabalhadores, que voltaram a estar ontem reunidas.

O encontro de ontem serviu para iniciar a discussão do caderno reivindicativo para 2018 e prolongar o diálogo iniciado na sexta-feira com o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, e os secretários de Estado do Emprego e da Indústria, Miguel Cabrita e Ana Teresa Lehmann, respetivamente.

Oficialmente, a Autoeuropa não comenta as informações do encontro de hoje. Até ao fecho da edição não foi possível obter qualquer comentário da comissão de trabalhadores.

Amanhã é dia de plenários em Palmela: além do caderno reivindicativo, os trabalhadores vão debater a imposição de horários e que implica o funcionamento da fábrica com 17 turnos semanais, de segunda a sábado, a partir de 29 de janeiro. Em cada dois meses garantem-se quatro fins de semana completos e mais um período de dois dias consecutivos de folga. O domingo é o único dia de descanso fixo.

Na sexta-feira, o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, comprometeu-se com a "criação e reforço de equipamentos sociais de apoio à família", de forma a responderem "a um novo quadro horário de funcionamento da empresa, com mais creches com horário diferenciado, por exemplo".

As creches com horário diferenciado permitem que os pais beneficiem de um regime mais flexível - desfasado do normal período de trabalho - para deixar as crianças. Isto poderá implicar, se for necessário, alterações no financiamento do Estado às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) próximas da fábrica de Palmela.

A Autoeuropa representa cerca de 1% do PIB e dá emprego, direta e indiretamente, a 8700 trabalhadores.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Premium

Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.