Associação criminosa, fabrico e falsificação de títulos de crédito, tráfico de influência, burla por defraudação e branqueamento de capitais..Foram estes os cinco crimes cometidos por José Filomeno dos Santos, segundo o despacho da acusação do Ministério Público de Angola a que o Dinheiro Vivo teve acesso, que levaram ontem à prisão preventiva do filho do ex-presidente angolano. Filomeno dos Santos e Jorge Gaudens Pontes Sebastião, "amigos de longa data", segundo o despacho, são suspeitos de concertar um plano "para se apropriarem de valores monetários do Estado angolano". Os arguidos "gizaram um plano que consistia alegadamente na constituição de um Fundo de Investimento Estratégico". .Os factos remontam a 2017, quando José Filomeno dos Santos era Presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola. O pai ainda estava no poder. Já o amigo e parceiro de negócios era proprietário da Mais Financial Services, "uma das empresas utilizadas para levar avante o plano". Segundo a acusação, devido às ações dos arguidos, "o Estado angolano, para além de ter o seu bom nome lesado", ficou com prejuízos de 8,5 milhões de dólares, ao qual acrescem 2 milhões de libras e 5,5 milhões de kwanzas..Além de Filomeno dos Santos e Jorge Sebastião, são ainda arguidos Valter Filipe Duarte da Silva, ex-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), acusado de associação criminosa, peculato e branqueamento de capitais, e António Samalia Bule Manuel, diretor do Departamento de Gestão de Reservas do BNA, acusado de associação criminosa e peculato..Os quatro arguidos, conclui a acusação, constituíram sociedades para "de forma concertada, falsificarem títulos para serem utilizados como garantia bancária" e contactaram "instituições públicas, sobretudo o antigo Presidente da República, encenando a aparência de intermediários de um Sindicato Bancário Estrangeiro com capacidade para financiar o Estado angolano na constituição de um Fundo de Investimento Estratégico, celebrando contratos aparentes sem qualquer intenção de executá-los e muito menos cumpri-los"..(Em atualização...)