Altice traz executivos de topo a Lisboa. Meo Arena muda de nome

Grupo francês vai realizar encontro com 1500 convidados para anunciar novo passo na mudança de marca em Portugal e dar a conhecer "visão de futuro"

A Altice está a acelerar a mudança de marca da Meo e na segunda-feira vai anunciar perante 1500 parceiros e colaboradores e mais de uma centena de executivos de topo do grupo a nível mundial a mudança do nome do antigo pavilhão Atlântico para Altice Arena, apurou o DN/Dinheiro Vivo. Contactada, a companhia não quis comentar esta informação.

O grupo fundado por Patrick Drahi anunciou em maio, em Nova Iorque, que iria unificar as diversas marcas do grupo, com presença em dez países, sob o mesmo nome: Altice. O primeiro passo foi dado logo na República Dominicana, onde o grupo operava com a marca Orange, mas Portugal e os restantes mercados teriam até o segundo trimestre de 2018 para fazer o rebranding das marcas. Desde então a comunicação da operadora tem surgido na rua com indicação da Meo, uma empresa detida pela Altice. O passo seguinte foi em setembro, quando as camisolas do FC Porto, clube que patrocinam, surgiram com a marca Altice, durante o jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões contra o clube turco Besiktas.

Na estratégia levada a cabo de gradual de mudança de marca a opção tem sido dar prioridade a eventos de grande exposição mediática, como foi o caso da Champions. O próximo grande passo vai ser alterar o nome do Meo Arena, uma das maiores salas de espetáculos do país e que recebe eventos internacionais, para Altice Arena. O anúncio será feito no próximo dia 16, no espaço de eventos no Parque das Nações, em Lisboa, perante mais de 1500 convidados. Parceiros corporativos, clientes empresariais, universidades, startups, parceiros tecnológicos e de conteúdos, mas também colaboradores da Altice/PT, foram convidados a estar presentes para "partilhar o nosso compromisso e a nossa visão de futuro", segundo o convite endereçado pela empresa aos colaboradores a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso.

O momento foi também o escolhido para a Altice receber em Lisboa o encontro anual da senior leadership team do grupo. Ao todo são 150 executivos de Portugal, Nova Iorque, Paris e Telavive, que vão reunir-se em Lisboa como objetivo de alinhar os quadros de topo nos principais mercados em que o grupo está presente.

Para amplificar este novo passo no rebranding da marca, está a ser preparada uma campanha de televisão e de publicidade exterior (mupis) para assinalar a mudança de nome para Altice Arena. Ainda em outubro, sabe o DN/Dinheiro Vivo, a operadora deverá anunciar que vai participar na Web Summit, de que é parceiro tecnológico, com a marca Altice. Ao evento, que decorre de 6 a 9 de novembro em Lisboa, são esperados 60 mil participantes. Até junho do próximo ano, a Altice terá ainda de definir de que modo o processo de rebranding será aplicado a outros eventos patrocinados pela Meo, com os festivais Meo Sudoeste e Meo Marés Vivas. Sapo, Moche (tarifário jovens) e Uzo (low cost) são as marcas que vão conviver com a Altice no mercado nacional, mas o tema ainda não está fechado internamente.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Investimento estrangeiro também é dívida

Em Abril de 2015, por ocasião do 10.º aniversário da Fundação EDP, o então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmava que Portugal "precisa de investimento externo como de pão para a boca". Não foi a primeira nem a última vez que a frase seria usada, mas naquele contexto tinha uma função evidente: justificar as privatizações realizadas nos anos precedentes, que se traduziram na perda de controlo nacional sobre grandes empresas de sectores estratégicos. A EDP é o caso mais óbvio, mas não é o único. A pergunta que ainda hoje devemos fazer é: o que ganha o país com isso?

Premium

Jan Zielonka

A política na era do caos

As cimeiras do G20 foram criadas para compensar os fracassos das Nações Unidas. Depois da cimeira da semana passada na Argentina, sabemos que o G20 dificilmente produzirá milagres. De facto, as pessoas sentadas à mesa de Buenos Aires são em grande parte responsáveis pelo colapso da ordem internacional. Roger Boyes, do Times de Londres, comparou a cimeira aos filmes de Francis Ford Coppola sobre o clã Corleone: "De um lado da mesa em Buenos Aires, um líder que diz que não cometeu assassínio, do outro, um líder que diz que sim. Há um presidente que acabou de ordenar o ataque a navios de um vizinho, o que equivale a um ato de guerra. Espalhados pela sala, uma dúzia de outros estadistas em conflito sobre fronteiras, dinheiro e influência. E a olhar um para o outro, os dois arquirrivais pretendentes ao lugar de capo dei capi, os presidentes dos Estados Unidos e da China. Apesar das aparências, a maioria dos participantes da cimeira do G20 do fim de semana não enterrou Don Corleone, mas enterrou a ordem liberal."

Premium

nuno camarneiro

Amor em tempo de cólera

Foi no domingo à tarde na Rua Heliodoro Salgado, que vai do Forno de Tijolo à Penha de França. Um BMW cinzento descia o empedrado a uma velocidade que contrariava a calidez da tarde e os princípios da condução defensiva. De repente, o focinhito de um Smart vermelho atravessa-se no caminho. Travagem brusca, os veículos quedam-se a poucos centímetros. Uma buzinadela e outra de resposta, o rapaz do BMW grita e agita a mão direita à frente dos olhos com os dedos bem abertos, "és ceguinha? És ceguinha?" A senhora do Smart bate repetidamente com o indicador na testa, "tem juízo, pá, tem juízo". Mais palavras, alguma mímica e, de repente, os dois calam-se, sorriem e começam a rir com vontade. Levantam as mãos em sinal de paz, desejam bom Natal e vão às suas vidas.

Premium

Joel Neto

O jogo dos homens devastados

E agora aqui estou, com a memória dos momentos em que falhei, das pancadas em que tirei os olhos da bola ou abri o cotovelo direito no downswing ou, receoso de me ter posicionado demasiado longe do contacto, me cheguei demasiado perto. Tenho a impressão de que, se fizer um esforço, sou capaz de recapitular todos os shots do dia - cada um dos noventa e quatro, incluindo os cinco ou seis que me custaram outros doze ou treze e me atiraram para longe do desempenho dos bons tempos. Mas, sobretudo, sinto o cheiro a erva fresca, leite morno e bosta de vaca dos terrenos de pasto em volta. E viajo pelos outros lugares onde pisei o verde. Em Tróia e na Praia Del Rey. Nos campos suaves do Algarve e nas nortadas de Espinho e da Póvoa de Varzim. Nos paraísos artificiais de Marrocos, em meio da tensão competitiva do País de Gales e na Herdade da Aroeira, com os irmãos Barreira e o Maurício, e o Vítor, e o Sérgio, e o Abad, e o Rui, e todos os outros.

Premium

Opinião

NAVEGAR É PRECISO. Quinhentinhos

Os computadores, sobretudo os pessoais e caseiros, também nos trouxeram isto: a acessibilidade da "memória", através do armazenamento, cronológico e quantificado. O que me permite - sem esforço - concluir, e partilhar, que este é o meu texto número 500 no Diário de Notícias. Tendo trabalhado a tempo inteiro e colaborado em muitas outras publicações, "mais do que prometia a força humana", nunca tive, em quatro décadas de peças assinadas, uma oportunidade semelhante de festejar algo de semelhante, fosse pela premência do tempo útil sobre o "ato contemplativo" ou pela velocidade inusitada com que ia perdendo os trabalhinhos, nem por isso merecedores de prolongamento do tempo de "vida útil". Permitam-me, pelo ineditismo da situação, esta rápida viagem que, noutro quadro e noutras plataformas, receberia a designação (problemática, reconheça-se) de egosurfing.