Afinal Marine Le Pen já não fala na Web Summit

Contestação à vinda de Marine Le Pen a Lisboa não se fez esperar. O deputado socialista João Galamba diz que a vinda de um líder de extrema direita não se coaduna com o ambiente de tolerância que caracteriza Lisboa.

Dias depois de o DN noticiar a presença da líder da Extrema Direita francesa, Marine Le Pen na Web Summit, que se realiza de 5 a 8 de novembro em Lisboa, a organização do evento retirou o nome de Le Pen dessa mesma lista.

Já este sábado, alertado para o facto de o nome já não constar na lista dos oradores do evento, o Dinheiro Vivo confirmou que Marine Le Pen não estará em Lisboa, não tendo sido explicados os motivos.

Mesmo sem explicação oficial, a verdade é que as reações a esta notícia não se fizeram esperar. E não foram boas.

Este sábado, por exemplo, o deputado socialista João Galamba publicou no seu Twitter uma afirmação intrigante: "Não se juntam, não [à lista de oradores], que a gente não aceita. Normalização de fascistas já ultrapassa em muito o aceitável."

O que queria Galamba dizer com isto? "Que as pessoas reagirão e protestarão", explica o deputado ao DN. " Disse 'a gente' no sentido que as pessoas que ficaram indignadas com a situação."

Porquê? "Mas é preciso explicar? Não me parece bem que num evento ainda por cima com dinheiros públicos numa cidade como Lisboa que se apresenta como uma cidade aberta ao mundo e tolerante tenha como convidados de honra e oradores líderes políticos de extrema direita. Não me parece que seja compatível com o espírito do evento. E acho bem que as pessoas, os cidadãos a nível individual, se manifestem"

E quando lhe perguntamos se ser tolerante não significa também aceitar a presença de uma líder política de um país democrático, como é a França, João Galamba responde: "A tolerância é um valor substantivo, não é formal. Ou seja, não vale tudo."

Fosse pelas reações ou por outro motivo, a verdade é que o nome de Marine foi retirado da lista de participantes na Web Summit, esta tarde.

Também o dirigente do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza comentou o caso no Twitter, antecipando problemas para o primeiro-ministro António Costa, caso Le Pen viesse ao evento.

Outros tweets de cidadãos indignados surgiram nos últimos dias, desde o anúncio da participação da líder da Frente Nacional (hoje rebatizada Reunificação Nacional).

Muitas pessoas lembraram a xenofobia de Marine Le Pen e questionaram outros oradores: "Sente-se confortável a partilhar o palco com Marine Le Pen?"

Marine Le Pen, de 49 anos, foi reeleita em março para a liderança da Reunificação Nacional com o objetivo claro de chegar ao poder e um discurso centrado na anti-imigração, embora procurando afastar-se das posições mais racistas e anti-semitas do seu pai, Jean-Marie Le Pen.

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