Imperial vendida a espanhóis. Gestão mantém-se

Sem revelar o preço da aquisição, a Valor diz que quer reforçar o negócio dentro e além-fronteiras, e manter as equipas.

A poucos dias da Páscoa, a melhor época de vendas da Imperial, a maior fabricante portuguesa de chocolates foi alienada à espanhola Valor. A dona das marcas Regina, Jubileu e Pintarolas, entre outras, que integrava o portfólio do fundo de capital de risco Vallis Sustainable Investments I, da sociedade Vallis, vai passar dentro de poucas semanas a pertencer a um grupo líder em Espanha, que fatura 138 milhões de euros, possui duas unidades industriais e exporta para mais de 60 países. O valor da operação não foi divulgado por estar sujeito a um acordo de confidencialidade entre as duas empresas.

A Imperial, que tem fábrica em Vila do Conde e emprega cerca de 200 trabalhadores, foi responsável por um volume de vendas da ordem dos 33 milhões de euros no exercício fiscal que terminou a 30 de junho de 2020, 25% proveniente das exportações. Fundada em 1932, a fabricante portuguesa é líder em Portugal nos segmentos culinária, com as tabletes Pantagruel, nas amêndoas de chocolate, e nas drageias, com a Pintarolas, para além de ter no seu portfólio marcas com elevada notoriedade como a Regina ou Jubileu. No ano passado, a empresa finalizou um investimento de três milhões de euros numa nova unidade de tabletes, para aumentar a capacidade produtiva naquele que é o maior segmento de mercado dos chocolates a nível mundial. Com uma produção de seis mil toneladas anuais, a Imperial coloca os seus produtos em perto de 50 mercados.

A Chocolates Valor quer, agora, "potenciar a complementaridade de ambas as empresas e o seu know-how enquanto especialistas em chocolate", disse fonte da empresa espanhola ao DN/Dinheiro Vivo. "O objetivo que marcamos passa por reforçar tanto as marcas, que são fortes e com grande tradição - Regina, Jubileu, Pantagruel, Pintarolas, entre outras -, como o resto do negócio da empresa, dentro e além-fronteiras".

Segundo o CEO, Pedro López, a empresa tinha definido no seu plano trianual crescimentos orgânicos e por aquisição, tendo sido analisadas "inúmeras propostas para encontrar o parceiro de viagem perfeito. A Imperial enquadra de forma perfeita em todos os requisitos que procurámos". Esta operação da empresa familiar espanhola, que está entre a quarta e quinta geração, é a primeira fora de portas desde que foi constituída, em 1881. De acordo com o apurado, a Valor vai manter as atuais equipas da Imperial, que é liderada por Manuela Tavares de Sousa. A transação, sujeita à não oposição da Autoridade da Concorrência, deverá estar concluída nas próximas semanas.

À venda desde 2018

A Vallis, que adquiriu em 2015 a Imperial ao grupo RAR, já tinha colocado em 2018 a fabricante portuguesa à venda. Na ocasião, foi divulgado que a empresa tinha suscitado o interesse de investidores nacionais e internacionais, tendo o Haitong Bank sido mandatado para conduzir a operação. Mas esse processo acabou por não se concretizar. Agora, a sociedade encontrou o parceiro que lhe permite prosseguir o ciclo de desinvestimento e geração de liquidez para os subscritores do fundo Vallis, cuja capitalização é de 75 milhões, conforme nota enviada às redações. No mesmo comunicado, Eduardo Rocha, CEO da Vallis, diz que com esta transação, "a Imperial vê reconhecido o seu percurso ao longo dos últimos cinco anos, nos quais consolidou o prestígio e notoriedade das suas marcas, ao mesmo tempo que investiu na modernização das suas instalações industriais" cerca de 16 milhões. Embora contactados, nem a Vallis nem a CEO da Imperial se mostraram disponíveis para esclarecimentos.

Sónia Santos Pereira é jornalista do Dinheiro Vivo

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