Hyundai promete novo carro a hidrogénio até 2025

A construtura sul-coreana está a desenvolver um pequeno monovolume movido a hidrogénio, que chegará ao mercado dentro de quatro anos.

O SUV Multi-Purpose Vehicle (MPV) é o mais recente modelo a juntar-se aos outros já desenvolvidos e testados na área do hidrogénio. Ricardo Lopes, Chief Operating Officer da Hyundai em Portugal afirma que se trata de um projeto inserido na estratégia de aposta na tecnologia do hidrogénio, que tem vindo a ser trabalhada pela construtora. A Hyundai foi, aliás, a primeira marca a produzir em série uma viatura movida a hidrogénio, o Hyundai NEXO lançado em 2018 - o primeiro SUV a hidrogénio no mercado, que já vendeu mais de mil unidades na Europa.

O novo modelo teve uma apresentação pontual em Portugal, mas ainda não está à venda, uma vez que não existe infraestrutura no país para abastecer este tipo de veículo. Mas Ricardo Lopes lembra que o case study do hidrogénio insere-se nos planos de antecipar as metas de descarbonização até 2045: "É a energia do futuro e a marca acredita ter um potencial tremendo, quer ao nível industrial, quer ao nível dos transportes ligeiros, pesados ou marítimos." Esta é aliás a principal razão para a construtora ter investido e participado ao longo dos últimos anos em projetos de fuel-cell.

Mas, o recurso ao hidrogénio está condicionado pela existência de redes de abastecimento, o que leva o responsável a defender "uma conjugação de fatores e de vontades", com investimento na infraestrutura e, porventura, também com o suporte dos governos para que o hidrogénio se converta numa solução de maior escala. Segundo o diretor de operações da marca em Portugal, a Hyundai acredita que tal vai ser possível concretizar, razão pela qual tem já alguns projetos em curso, tanto para veículos ligeiros, como para veículos pesados. Na área de transportes de longo curso, a construtora sul-coreana está a desenvolver há um ano na Suíça, o projeto XCIENT, um modelo de camião movido a hidrogénio, já com 50 unidades a circular na estrada.

Esta é uma frota de pesados com perto de um milhão de quilómetros percorridos, que recorre a um sistema de fuel cell de 190 kW com duas pilhas de combustível de 95 kW, a alimentar um sistema elétrico com uma bateria de 73,2 kWh e 661V, garantindo ao pesado a capacidade de percorrer 400 km com 32 kg de hidrogénio armazenados em sete tanques a uma pressão de 350 bar: "Este desempenho prova que business case do hidrogénio enquanto tecnologia válida deve ser levada em conta." Ricardo Lopes adianta que a Hyundai pretende, até 2025, chegar aos 1600 camiões, considerados os primeiros do mundo a serem produzidos em série para serviços pesados movidos a hidrogénio.

A marca diz-se preparada para enfrentar o futuro neste domínio, assim que haja "vontade política" para alargar a rede de abastecimento e evoluir no transporte pesado e no transporte de passageiros, com outros modelos que se seguirão, depois do NEXO. Exemplos disso é o tal novo SUV a hidrogénio que chegará em 2025 e outros produtos para fornecer os mercados.

Em estudo está igualmente um trator equipado com sistema ful cell para longas distâncias, capaz de percorrer 1000 km com uma só carga e destinado aos mercados europeus e norte-americanos. "Um veículo a hidrogénio não é poluente, produz água e, mais importante, reduz drasticamente os tempos de abastecimento", destaca Ricardo Lopes, relembrando que o carregamento é praticamente idêntico ao dos veículos movidos a combustíveis fósseis.

O Hyundai Motor Group já tinha assumido publicamente o compromisso de assegurar a produção de 700 mil unidades/ano de sistemas fuel cell para automóveis, navios, vagões, drones e geradores de energia até 2030. A marca este ano já cresceu 40% acima dos 10% da média de mercado, na área das vendas dos veículos eletrificados.

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