Huawei: 5G é a "nova eletricidade" e "quem for nosso parceiro irá vencer"

Guo Ping, o chairman Huawei lança apelo a programadores e empresas para que se juntem ao 5G e aos ecossistemas da marca chinesa

Em plena crise pelo bloqueio dos EUA à Huawei, que criou à marca chinesa alguns problemas na utilização do ecossistema Google e na implementação de 5G, o líder da Huawei, Guo Ping, não falou dos problemas, mas indicou que quem se juntar à tecnologia 5G da Huawei "vai ficar a ganhar".

O presidente rotativo da Huawei destacou as ambições da empresa que indica ser líder global em 5G, acrescentando que a implantação das novas redes comerciais está a acontecer "mais rápido do que o esperado", dando o exemplo do primeiro milhão de utilizadores 5G em apenas 60 dias na Coreia do Sul. Neste momento, já serão os 40 operadores em 10 países a comercializar o 5G, mas até ao final do ano o líder da marca espera que sejam 60.

"O 5G constitui uma oportunidade única para toda a comunidade mundial. Estamos a criar uma nova era de rapidez e a humanidade entra, assim, numa era do mesmo nível do início da eletricidade". A comparação com a eletricidade e a sua importância "para todas as indústrias" foi feita várias vezes, com Guo Ping a explicar que essa tecnologia "que vai aumentar a rapidez e reduzir a latência a níveis nunca vistos" vai trazer "inúmeras oportunidades para empresas e startups".

Admitindo que as aplicações em inteligência artificial "estão na sua infância", o 5G surge assim como "o desbloqueador" para os múltiplos aparelhos da Internet das Coisas, bem como no setor da saúde (consultas à distância) e no setor automóvel (condução autónoma). "O 5G reduz a distância entre aparelhos e a cloud e coloca todo o poder da cloud no nosso bolso", acrescentou.

Seguiram-se alguns exemplos de aplicações que já usam o potencial do 5G criadas pela Huawei em parceria com algumas empresas, incluindo o TrackAI, que permite diagnosticar problemas visuais em crianças mais rápido do era possível antes.

Huawei procura programadores para o seu ecossistema

Guo Ping adiantou ainda que as apps e software criados com base no 5G "são os que vão gerar o verdadeiro valor da tecnologia", naquele que define como um mercado que vale triliões de dólares americanos" e onde "os maiores vencedores serão os parceiros da Huawei".

Sem se referir às acusações das autoridades dos EUA para que a tecnologia 5G da Huawei representam uma ameaça à segurança, o chairman da empresa espera que os parceiros adiram ao ecossistema da empresa: "para que possamos continuar a levar a indústria parta a frente, dando força aos programadores".

Daí que a Huawei tenha lançado uma iniciativa para programadores já com 21 laboratórios pelo mundo e um investimento nos próximos anos de 1,5 mil milhões de dólares, com o objetivo de ter 5 milhões de programadores e que inclui serviços gratuitos para facilitar a vida a estes parceiros.

Já na resposta ao facto de terem perdido, nos novos smartphones (e para já) o ecossistema da Google para apps, a Huawei também espera que existam cada vez mais programadores a aderir ao HMS (Huawei Mobile Services).

João Tomé é jornalista do Dinheiro Vivo