Hotéis pedem mais apoios. "Retoma do turismo abortou"

Hoteleiros dizem que 2021 não vai ser "pior do que 2020, porque temos um mercado interno".

Até abril, grande parte da hotelaria esteve de portas fechadas ou com taxas de ocupação muito baixas. A expectativa era que a partir de maio houvesse um crescimento da atividade e fosse criado um balão de oxigénio. Se a integração na lista verde do Reino Unido animou, a saída apenas três semanas depois, foi um balde de água fria. Mas as dificuldades não se ficam por aí. Na semana passada, a Alemanha gelou ainda mais as perspetivas do turismo ao colocar Portugal na lista vermelha.

"A retoma do turismo em Portugal abortou. Tínhamos a expectativa de que a retoma se iria iniciar neste verão, e tínhamos indicações que nos levavam a pensar isso. Mas com os condicionamentos da Grã-Bretanha e da Alemanha, não haverá retoma neste ano", disse Raul Martins, presidente da AHP.

Apesar de o Certificado Digital da UE entrar em vigor nesta quinta-feira, 1 de julho, Berlim, ao colocar Portugal nesta lista vermelha, utilizou uma espécie de travão de emergência.
O ano não esteja a correr como o previsto pelos hoteleiros, mas comparando com 2020, as perspetivas são melhores. "Pior do que 2020 não será porque temos um mercado interno que vai contrabalançar", disse Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP.

Pelo segundo ano, a época alta vai ser com níveis de ocupação atípicos. A AHP realizou um inquérito entre 7 e 25 de junho, antes da Alemanha ter colocado Portugal na lista vermelha, e os dados mostram que a média de reservas para julho está na casa dos 43%, subindo ligeiramente para 46% em agosto. Em setembro, desce para 37% e sobe para 50% em outubro.

Em 2019, a atividade turística em Portugal estava bastante dependente dos não residentes, sendo que os portugueses contribuíram com cerca de um terço. Contudo, e tal como em 2020, os portugueses são neste ano são os principais clientes da hotelaria. " Vamos ter um prejuízo gravíssimo nesta época alta", disse Cristina Siza Vieira.

Com perspetivas cinzentas, a hotelaria pede reforço de apoios. "Mais do que estar a pedir novas medidas (...) temos é de aumentar a disponibilidade do plano reativar o turismo", defendeu Raul Martins.

"O decreto-lei está publicado, mas agora têm de ser definidos os critérios que vão permitir ao Banco de Fomento apoiar as linhas capitalizar, tesouraria e divida subordinada, que são as três vias que existem. O que é urgente é que essa definição exista. Temos a expectativa que seja feita até 15 de julho. E que possa ser posta em prática desde logo. É urgente, mais do que no mês passado, porque estamos a entrar em julho e havia a expectativa de alguma ocupação, e o que vamos ter é uma ocupação muito baixa e que não vai permitir ter resultados positivos de exploração em julho", rematou.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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