Há muita resistência dos Governos para que haja um mercado digital

Durão Barroso defende que os governos europeus "deveriam tentar apoiar os planos da Comissão Europeia para que exista um mercado digital completamente integrado".

O antigo presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso disse hoje que os governos europeus levantam muitas resistências à criação de um mercado digital integrado europeu, porque ainda estão "muito próximos" das principais empresas tecnológicas.

"Na Europa, o roaming ainda existe e foi na minha Comissão que tentámos acabar com os gastos de roaming. De Portugal para Espanha pagamos roaming, do Luxemburgo para a Bélgica ou para a Holanda, pagamos roaming. (...) Isto porque, de facto, os grandes incumbentes ainda são muito próximos dos Governo e há muita resistência a nível governamental para que haja um verdadeiro e real mercado digital", disse Durão Barroso na Web Summit, que decorre em Lisboa.

"Os governos [europeus], por vezes, fazem demais e outras vezes não fazem o que é necessário", disse o antigo líder do executivo comunitário, reiterando que na Europa ainda não existe um mercado digital interno, e sim "28 pequenos mercados".

"E isso é um problema para as 'startups'. As companhias norte-americanas conseguem lidar com 28 pequenos e difíceis mercados, podem pagar os custos legais, etc, mas é muito mais difícil para as pequenas 'startups' poderem crescer", disse Durão Barroso perante os milhares de empreendedores que assistiam à conferência.

Para o antigo primeiro-ministro português, os governos europeus "deveriam tentar apoiar os planos da Comissão Europeia para que exista um mercado digital completamente integrado".

"Ao mesmo tempo, poderiam fazer mais para criar um ecossistema favorável" à economia digital e à inovação, bem como aumentar os "subsídios para banda larga", realçou.

A Europa também precisa de "novas políticas" para aumentar "flexibilidade" do mercado laboral nas sociedades europeias, devido ao impacto que "estas revoluções digitais" vão ter em todos os aspetos da vida dos cidadãos.

A Web Summit de Lisboa, que arrancou na segunda-feira, conta com mais de 53.000 participantes, de 166 países, incluindo 15.000 empresas, 7.000 presidentes executivos e 700 investidores.

Entre os oradores, estarão os fundadores e presidentes executivos das maiores empresas de tecnologia, bem como importantes personalidades das áreas de desporto, moda e música.

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