Há dois grupos portugueses na corrida à compra do complexo de Vilamoura

Venda da marina e de terrenos para construção permite reforço de liquidez ao fundo norte-americano Lone Star, que vai comprar o Novo Banco. Mercado estima que o negócio possa render pouco mais de 200 milhões de euros

Há pouco mais de uma semana no mercado, Vilamoura já tem vários interessados. Na corrida à compra do complexo turístico propriedade do fundo norte-americano Lone Star - o mesmo que está a comprar o Novo Banco - estão dois grupos portugueses, um deles de capitais oriundos do Leste da Europa, e que já avançou com uma proposta há ano e meio, sabe o DN/Dinheiro Vivo.

A empresa de avaliação imobiliária CBRE foi mandatada pelo Lone Star para conduzir a venda e, ao que foi possível apurar, já iniciou um roadshow para apresentar o projeto a investidores internacionais. O anúncio da intenção de venda, noticiada na semana passada pelo Jornal de Negócios, não surpreendeu o mercado. "Era uma intenção com algum tempo apesar de a venda só ter sido mandatada agora", refere fonte do setor.

As duas empresas portuguesas que entraram na corrida pretendem ganhar peso e visibilidade. "São grupos pouco conhecidos do mercado", revela ao DN/Dinheiro Vivo outra fonte conhecedora do processo, sem detalhar os nomes em causa.

De um lado, está um grupo composto por alguns investidores anteriormente ligados ao próprio Lone Star e que agora pretendem montar um fundo concorrente que possa ir a jogo neste processo de venda; o outro, é um interessado antigo, também nacional mas com capitais russos, que há ano e meio já avançou com uma proposta de aquisição. Esta intenção nunca chegou a concretizar-se porque a Lone Star ainda não estava preparado para se desfazer do negócio, fechado em março de 2015. Nem a Lone Star nem a CBRE quiseram comentar.

A compra de 75% do Novo Banco ao Fundo de Resolução - que fica fechada dentro de duas semanas - terá sido fundamental para que agora os norte-americanos tomassem uma decisão. É que o negócio, que poderá ser fechado pouco acima dos 200 milhões de euros, permite libertar capital e ganhar liquidez. E, por outro lado, permite ao fundo concentrar-se nos edifícios que vão entrar na sua carteira de ativos depois da aquisição do banco português, os quais, "pela menor dimensão, têm maior potencial de rentabilização a curto prazo".

Em 2015, o projeto de Vilamoura custou à Lone Star cerca de 170 milhões de euros e a perspetiva é que agora possa realizar pouco mais de 200 milhões. Como só será vendida uma parte dos ativos, um valor nesta ordem, já assegura uma mais-valia para o fundo norte-americano.

O mais antigo resort português tem dois mil hectares que giram em torno da icónica marina, que conta com 825 postos de amarração - a maior do país -, e cinco campos de golfe, que são atração de turistas internacionais. O projeto tem ainda uma segunda fase, o Vilamoura XXI, com 700 mil metros quadrados de área de construção edificável destinada à hotelaria e a projetos de turismo residencial. É aqui que se insere o projeto de André Jordan da Cidade Lacustre em frente à praia da Falésia. Este ativo não deverá ser alienado.

O processo de venda ainda está numa fase preliminar e só deverá ganhar gás no mês de novembro. Fontes conhecedoras do processo asseguram que é essencial conseguir captar o interesse de um investidor ou grupo internacional de peso, o que poderá levar tempo.

A venda de Vilamoura ao fundo norte-americano Lone Star foi o maior investimento em imobiliário turístico de 2015 e mobilizou várias ofertas. Mesmo assim, ficou bastante aquém dos 360 milhões de euros que o Catalunya Banc (BBVA) tinha entregue a André Jordan. À data, o fundo afirmou que os seus planos passavam por "fortalecer e reanimar o resort através de um plano de investimento a longo prazo".

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