Há créditos ao consumo sem moratória no valor de 200 milhões

Famílias têm 13,2 mil milhões de euros de créditos da casa sob moratória. Maioria retoma os pagamentos ao banco já no final de setembro.

A três meses de terminar o prazo da maior parte das moratórias no crédito à habitação ainda existiam 13,2 mil milhões de euros de empréstimos abrangidos pela medida. Os dados relativos ao final de maio foram ontem divulgados pelo Banco de Portugal e mostram que, a um mês de acabar a moratória privada no crédito ao consumo, ainda estavam com o pagamento da prestação suspenso créditos da ordem dos 200 milhões de euros. A moratória relativa ao crédito à habitação termina no final de setembro, para a maioria dos créditos, enquanto a moratória da Associação Portuguesa de Bancos (APB) do crédito ao consumo acabou ontem.

No caso do crédito à habitação, face ao final do mês de abril, o montante de empréstimos abrangidos por moratória caiu 200 milhões de euros. Alguns dos empréstimos à habitação abrangidos pela medida vão continuar a beneficiar de suspensão do pagamento da prestação até ao final deste ano, mas são uma minoria e dizem respeito às adesões efetuadas entre dezembro de 2020 e março passado.

No crédito ao consumo, o montante global de créditos abrangidos pela moratória privada da APB recuou 300 milhões de euros entre abril e o final de maio. Existiam em maio um total de empréstimos para outra finalidade no valor de 1400 milhões de euros abrangidos pela moratória pública. Tratam-se de empréstimos para educação e créditos concedidos a empresários em nome individual e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias.

No global, segundo os dados do Banco de Portugal, o montante de empréstimos abrangidos por moratória desceu em maio para 38,5 mil milhões de euros. O valor representa uma descida de 1200 milhões de euros face ao mês de abril.

Nos empréstimos concedidos a empresas registou-se uma descida de 700 milhões de euros no montante global de créditos abrangidos por moratória.

No caso dos setores mais afetados pela crise provocada pelas medidas adotadas no âmbito da epidemia, existiam em maio 24,1 mil empresas abrangidas por moratórias. "O montante de empréstimos com pagamento suspenso diminuiu 0,1 mil milhões de euros face a abril, para 8,5 mil milhões de euros", no caso daquelas empresas.

Portugal tem tido o maior período de moratórias na União Europeia. O pico das moratórias no país foi alcançado em setembro de 2020, quando o total de créditos abrangidos chegou aos 48,1 mil milhões de euros. Desde então, o valor tem vindo a recuar. No final de março deste ano chegou ao fim o prazo da moratória da APB aplicada ao crédito à habitação, tendo algumas famílias já retomado o pagamento das suas prestações da casa em abril.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

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