Grupo português IGHS inaugura hospital em Omã

Investimento na Península Arábica permite "um showroom na região do Médio Oriente", que já levou a outros convites.

Num investimento de mais de 100 milhões de euros, o grupo de saúde português IGHS inaugurou um hospital em Omã, em conjunto com os grupos Oman Brunei Investment Company (OBIC) e Suhail Bahwan Group (SBG). Assim, a excelência dos cuidados de saúde portugueses chegam à Península Arábica.

Esta parceria surgiu da vontade do Oman Brunei Investment Company em criar um hospital com características diferentes daquelas que até então era habitual encontrar no país. O grupo IGHS destacou-se pela sua relação com o meio académico, levada a cabo com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e a sua relação com multinacionais como a Siemens e a IBM. O grupo também optou por trazer empresas portuguesas nas áreas de desenvolvimento de projeto e de soluções de engenharia para reforçar as suas ferramentas num projeto desta dimensão, continuando sempre a privilegiar o seu país de origem.

O presidente do grupo, José Alexandre Cunha, lembra ao DN que o IGHS registou uma evolução "de tal forma, que nos propusemos não só a gerir o hospital como, inclusivamente, a participar societariamente no hospital, porque ao observarmos a sua mais-valia para a região entendemos logo que para nós seria uma oportunidade fantástica para entrar naquela região do Médio Oriente". Assim, a IGHS deixou de apenas ser a entidade que gere o hospital, para ser também sócia do projeto, que foi concretizado a partir de Portugal, com mais de mil voos entre os dois países.

Este investimento na Península Arábica significou para o grupo ter "quase um showroom na região do Médio Oriente, a partir do qual outros convites têm chegado". O hospital instalado na cidade de Muscat deu ao grupo a oportunidade de se envolver no que será o futuro Hospital Internacional de Riade. A IGHS tem já uma presença mais sólida noutra região geográfica, a Greater Bay, de Hong Kong, Macau e Guangdong, sendo que José Alexandre Cunha considera que o grupo "é certamente já o maior player de prestação de cuidados de saúde privados no território de Macau". Há duas clínicas em Macau, sendo que a segunda está para abrir no final do primeiro semestre de 2021.

O hospital de Omã está localizado em frente à Grande Mesquita Sultan Qaboos, a mais importante do sultanato, e por isso, do ponto de vista arquitetónico, respeita a zona envolvente. Já é candidato a alguns prémios a nível internacional e tem também o reconhecimento de quem visita o espaço. Existem três pilares essenciais que caracterizam os projetos da IGHS, "O conforto das instalações, a diferenciação tecnológica de todos os equipamentos que temos ao serviço da comunidade médica e dos profissionais de saúde que colaboram connosco e depois a diferenciação dos recursos humanos."

Apesar da pandemia, o grupo conseguiu materializar este projeto dentro do tempo e com o orçamento estabelecidos, mesmo com os constrangimentos que surgiram em termos de mobilidade de bens e pessoas.
O hospital em Omã permitiu que várias empresas portuguesas se internacionalizassem, mesmo quando esse não era um objetivo a curto e médio prazo. "Passaram a poder estar no mercado internacional, com uma presença muito forte, numa zona altamente competitiva, exigente, mas ao mesmo tempo também acolhedora e gratificante, e isso é muito importante." Agora empresas nacionais como a VHM ou a Laborial têm as portas abertas para um mercado que lhes era estranho.

Os próximos passos incluem continuar a aumentar a rede de clínicas Globallmed nas zonas de Macau e Hong Kong e transportar este conceito para o Médio Oriente, onde os projetos têm uma matriz genuinamente hospitalar. Em 2021-2022 o objetivo é abrir clínicas no Dubai, em Riade e outras cidades do Médio Oriente, e que estão atualmente em avaliação.

Apesar do seu investimento em várias áreas do globo, o grupo IGHS privilegia sempre a sua relação com Portugal por uma questão de reconhecimento das competências que temos enquanto país. "Estamos perfeitamente convictos de que quando confiamos nas nossas competências não temos por que não acreditar que somos igualmente capazes de fazer bem", diz o presidente do grupo. S. S.

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