Grupo Pestana quer que imobiliário valha 20% do negócio em três anos

Grupo admite que o facto de Portugal ser o único país da União Europeia a estar na lista verde dos ingleses está a funcionar como uma espécie de selo de validação para outros mercados

O grupo Pestana fechou 2020 com um prejuízo de 32 milhões de euros, algo que não acontecia em quatro décadas. Este resultado é o reflexo de uma queda de mais de 50% do volume de negócios devido à pandemia. As receitas do segmento da hotelaria afundaram 75% no ano passado, mas nem tudo foram más notícias para o maior grupo hoteleiro nacional. A surpresa veio do segmento imobiliário e residencial, que cresceu quase 12%. O Pestana decidiu continuar a diversificar o negócio, não apenas em termos geográficos, mas apostando agora mais no imobiliário. Os frutos dessa aposta espera colher em 2024.

"Temos a área de imobiliário turístico cujo principal projeto foi o Troia Eco Resort. Depois temos imobiliário puro, residencial. Além disso, fazemos alguma gestão dos condomínios no Algarve. Essa área de negócios também tem alguma construção. E esta foi a área que teve um impulso positivo", começou por explicar aos jornalistas o presidente executivo do grupo, José Theotónio. Depois do primeiro confinamento geral, muitos portugueses optaram por comprar casa neste resort, o que levou a "um push grande nas vendas". Entre maio e novembro de 2020 foram vendidos cerca de 80 imóveis e "terminámos as vendas porque não havia mais inventário". Estas 80 unidades "era o que pensávamos vender em três anos, até 2022".

O gestor não esconde que, com a pandemia, "vimos a importância da área imobiliária". "Representava cerca de 10% do nosso volume de negócios. Neste ano [2020] representou mais porque esta cresceu e as outras desceram. Um dos objetivos que temos é continuar com a parte imobiliária, desenvolvê-la para poder ter algum peso com significado no grupo. Não vamos deixar de ser um grupo hoteleiro como core business", garantiu.

Para aprofundar esta área de negócio, o Pestana tem já projetos em carteira em desenvolvimento. "Temos um empreendimento no Algarve, em Silves, que estava a decorrer, e agora um outro, em Ferragudo, que está em processo de aprovação. E estamos a olhar para outras coisas que possam surgir para termos, de uma forma consistente, todos os anos, uma atividade na área imobiliária que nos permita, se calhar, num ano normal, que a parte imobiliária passe dos tais 10% para perto dos 20%", admitiu. José Theotónio espera o regresso à normalidade, ou seja, aos níveis de 2019, apenas em 2024."

Selo de qualidade
José Theotónio assume que no primeiro trimestre deste ano as unidades do grupo estiveram encerradas e que este segundo trimestre será "muito fraco", apesar de, neste momento, terem "aberto cerca de 35% do inventário". A partir do segundo semestre, o grupo conta ter a maioria das unidades de portas abertas. "Maio e junho vamos trabalhar entre 20% e 25% daquilo que era um ano normal, 2019. E se isto continuar a evoluir bem, se não houver nenhum retrocesso, 40% a 50% no segundo semestre daquilo que seria 2019", disse.

O gestor notou que as reservas do mercado interno começaram a "ter algum significado" a partir de abril e dos "mercados internacionais a seguir a Portugal ter entrado na lista verde. O facto de Portugal ter entrado na lista verde dos britânicos não só para o mercado britânico - que foi o que cresceu mais - mas para outros foi como um selo verde" de garantia de qualidade.

Portugal é o único país da União Europeia nesta lista, o que significa que acabou por fintar a concorrência dos principais destinos: Espanha e Grécia. Londres deverá, nos próximos dias, rever a lista que vai entrar em vigor a 7 de junho. Para já ainda não é claro se Espanha vai estar, ou não, nesta lista. Mas o Pestana não esconde que os efeitos de o destino Portugal não obrigar a quarentena no regresso a casa dos ingleses é uma vantagem.

"Não há dúvida de que há um impacto muito grande. Se Espanha, Grécia, Turquia e Egito não estivessem fechados não teríamos tido o aumento de reservas que tivemos", assume. "No fundo, vamos com quatro semanas de avanço em relação aos destinos concorrentes. Se vierem mais três, ganhamos sete e depois da decisão ser tomada, não é logo que os operadores começam. No fundo, se conseguíssemos continuar sozinhos mais três semanas teria um impacto significativo."

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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