Grupo chinês compra dona dos cinemas do El Corte Inglés

Em Lisboa e no Porto mudam de mãos 45 salas, incluindo as dos Dolce Vita Tejo e Arrábida 20. Mas deverão manter a marca UCI

Os cinemas do El Corte Inglés, do Dolce Vita Tejo, em Lisboa, e Arrábida 20, no Porto, mudaram de mãos, depois de a britânica Odeon-UCI ter sido adquirida pela AMC Entertainment Holdings, empresa controlada pelo grupo chinês Wanda Group, do milionário Wang Jianlin. Um negócio avaliado em 921 milhões de libras (1,079 mil milhões de euros). O primeiro negócio do pós-brexit a ultrapassar a barreira dos mil milhões de euros.

"É uma oportunidade única - adquirir a cadeia de cinemas líder na Europa e criar o maior e melhor exibidor de cinema do mundo", afirma Adam Aron, diretor-geral e presidente da AMC. Detida há 12 anos pelo fundo Terra Firma, a Odeon-UCI é a maior operadora europeia, com 242 cinemas e 2236 salas. Em Portugal, onde enfrenta a liderança da NOS Audiovisuais, gere três cinema (dois em Lisboa e um no Porto) e 45 salas. Apesar da mudança de mãos, os cinemas deverão continuar a operar no mercado português sob a marca UCI.

Com esta aquisição, o grupo do milionário chinês Wang Jianlin passa a deter 627 cinemas e mais de 7600 salas em oito países, como Reino Unido, Irlanda, Itália, Espanha, Áustria e Alemanha. Posição que poderá ser reforçada se nos Estados Unidos fechar a compra da Carmike. A AMC está disposta a desembolsar 1,1 mil milhões de dólares (995,6 milhões de euros) pela quarta maior cadeia de cinemas nos EUA - com 276 cinemas e 2954 salas, presente até março em 41 estados -, reforçando a sua posição num mercado onde é a segunda maior cadeia, depois da Regal Entertainment Group.

Apesar da Carmike ter adiado, no final de junho, uma decisão sobre a venda - a votação foi adiada para 15 de julho, depois de alguns acionistas considerarem os 30 dólares por ação oferecidos pela AMC um valor baixo -, a AMC diz manter ainda o interesse. Mais, a "transação oportunística" da Odeon-UCI não impede uma futura compra da Carmike, já que a "a AMC tem os compromissos financeiros e a flexibilidade para realizar ambas as transações", garante.

A compra da Odeon-UCI é uma operação avaliada em mais de mil milhões de euros, mas o mesmo implica a absorção de uma dívida líquida de 477,2 milhões (407 milhões de libras). Ou seja, a AMC vai apenas pagar 500 milhões de libras (586 milhões de euros) pelos ativos, 75% em dinheiro e 25% em ações.

A operação, que deverá estar concluída até ao final do ano, está ainda sujeita ao OK da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e à consulta do Conselho de Empresas da Europa.

O timing da compra foi acelerado pelo brexit. Em maio, a AMC estaria disposta a pagar até cerca de 900 milhões de libras. Com a libra a cair para mínimos históricos face ao dólar depois do referendo do Reino Unido para a saída da UE, a aquisição, que vinha a ser negociada nos últimos três anos, foi concluída.

"Embora existam ainda algumas incertezas, a queda da libra para os valores mais baixos das últimas três décadas face ao dólar dão-nos a confiança de que esta transação irá gerar valor a longo prazo para os nossos clientes, parceiros e acionistas", admite Adam Aron. A AMC terá poupado cerca de 144 milhões de euros, beneficiando da desvalorização da libra, noticia a Reuters.

A Odeon-UCI não revela nas suas contas o peso do mercado português nas receitas, mas nos últimos 12 meses, até 31 de março, a companhia faturou globalmente mais de mil milhões de euros, segundo os dados divulgados pelas empresas.

Nas contas de março, a Odeon--UCI dava conta de crescimentos ao nível da venda de bilhetes, bem como planos para nos próximos quatro anos abrir 20 novos cinemas em mercados como Reino Unido, Alemanha e Itália.

Planos que não se sabe se se irão manter dada a mudança acionista. Mas da Odeon-UCI a AMC espera um "aumento de público e de faturação". Como? Através da "introdução de reconhecidas estratégias de costumer experience. Será dada primazia às iniciativas de crescimento da AMC, como a introdução de assentos reclináveis, uma melhor oferta food & beverage, e auditórios superiores de grande formato".

A AMC renovou alguns dos seus cinemas com assentos reclináveis, tendo registado um aumento de 75% no número de espectadores nestas localizações. Estratégia que quer aplicar às salas da Odeon-UCI.

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