Gelados. Sem turistas, nem o calor salva as vendas

O calor aperta e as geladarias já reabriram, mas sem os turistas as vendas estão muito longe dos números do ano passado.

Nem as elevadas temperaturas que se fazem sentir pelo país estão a ajudar as marcas de gelados a regressar aos níveis de vendas de há um ano. Sem turistas, as vendas nas lojas que entretanto já reabriram estão a ressentir-se, com quebras na ordem dos 80%.

"As três lojas de rua da Häagen-Dazs, que entretanto já foram abertas ao público, registam decréscimos de vendas de cerca de 80%, o que demonstra a dimensão da crise (que com certeza é muito generalizada) e dos obstáculos que temos pela frente. Se a situação não se inverter rapidamente, prevemos um quadro muito difícil de recuperação económica para o país", diz Mónica Galvão, diretora geral da distribuição da Häagen-Dazs em Portugal.

Esta segunda-feira (1 de junho) a marca conta abrir os espaços localizados nos centros comerciais, mas nem isso poderá ser suficiente para dar gás às vendas. "Com as restrições de circulação e acesso aos centros comerciais, que irão condicionar seguramente o volume de tráfego nestes espaços, esperamos também um decréscimo acentuado na faturação nos meses mais próximos", considera Mónica Galvão.

Com as lojas encerradas, a marca apostou nas entregas em casa, através de parceiros na área da restauração, mantendo-se ativo a área da distribuição, onde a Häagen-Dazs está presente. Neste canal os sinais são mais positivos. "Na distribuição, depois de uma primeira compra bunker por parte dos consumidores finais, assistimos a um crescimento das categorias de indulgência. Os consumidores passaram mais tempo em casa e durante o período de confinamento os produtos de indulgência ganharam relevância", descreve a responsável de distribuição da marca. "Nestas últimas semanas a Häagen-Dazs está a crescer acima da categoria, tendência que acreditamos se vai manter nos tempos mais próximos".

Depois de quase um mês apenas com as entregas ao domicílio e o take away a funcionar, a Santini reabriu a 18 de maio as lojas de Cascais (Baia), Carcavelos e Flores. "As restantes continuam a vender em regime de take away", diz Marta de Botton, administradora da Santini.

Com a reabertura faseada da economia, a Santini abriu a segunda loja no Porto e, nas "próximas três semanas" vão inaugurar a "loja nova do Chiado com algumas surpresas". Mantém-se ainda o objetivo de expandir a rede de lojas ao Algarve. "Mantemos o plano de abertura da loja de Faro. Apenas iremos abrir na segunda quinzena do mês de julho, pois aguardamos que terminem as obras na zona em que estamos inseridos", refere Marta de Botton.

A administradora da Santini mostra-se otimista q.b com uma eventual retoma, agora que a economia começa a reabrir. "Vai demorar o seu tempo, pois as pessoas vão ter que ganhar confiança. Adicionalmente, falta-nos uma grande fatia dos nossos clientes, que são os turistas internacionais."

Uma preocupação partilhada por Mónica Galvão. Devido ao encerramento das lojas Häagen-Dazs, "os resultados da empresa este ano vão ser fortemente penalizados, apesar das medidas de lay-off e das negociações possíveis (mas muito aquém do que seria equilibrado), com os senhorios a atenuarem ligeiramente o enorme esforço de tesouraria", diz.

"A quebra no poder de compra, o aumento significativo do desemprego e o decréscimo do turismo são fatores que seguramente irão contribuir de forma muito negativa para as vendas da empresa", continua a a diretora-geral de distribuição da Häagen-Dazs. "Torna-se, por isso, indispensável que as ajudas recentemente anunciadas pela Comissão Europeia cheguem de facto às empresas no sentido de se preservar o maior número de postos de trabalho possível."

Renovação da carta de sabores, usar "numa base mais permanente as nossas Vantinis e carrinhos de eventos, como por exemplo a Vantini que colocámos no Paredão de Cascais (Praia das Moitas)" são algumas das iniciativas que a Santini está a planear para dinamizar o negócio.

O mesmo planeia a Häagen-Dazs, bem como ações de fidelização e comunicação. "Vamos continuar a investir em comunicação e este ano mais do que nunca queremos estar perto dos nossos consumidores. Este ano, a marca vai levar a cabo uma das maiores campanhas de Comunicação de sempre em Portugal que terá início em junho em TV, Digital e Redes Sociais."

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