Gasolina volta a subir. Mas custa menos 13 cêntimos nos postos dos hipers

Em julho, o preço dos combustíveis voltou a subir, acompanhando o aumento da procura no país. Grandes superfícies conseguiram uma oferta abaixo das bombas low cost

O preço médio da gasolina simples 95 aumentou em julho pelo oitavo mês consecutivo. Subiu 2,7% num mês, para 1,713 euros por litro. Já o gasóleo simples registou ainda a terceira subida seguida, de 2,1% e ficou a custar 1,668 euros por litro, em média, de acordo com os dados do boletim da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), referentes ao mês de julho de 2021. É, porém, nos hipermercados que podemos encontrar os preços mais baixos dos combustíveis, com a gasolina a 13 cêntimos de diferença do preço médio nacional e o gasóleo a custar menos 10,2 cêntimos por litro.

O boletim acrescenta que os hipermercados praticam preços 2,6% abaixo dos operadores do segmento low cost e 7,4% inferiores aos postos de abastecimento sob a insígnia de uma companhia petrolífera.

Para António Comprido, secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), o porquê das grandes cadeias de supermercados conseguirem liderar os valores mais baixos de combustíveis é muito simples: "É pela mesma razão que as batatas fritas, os sumos ou as bolachas e tudo o resto é mais barato. Todos nós sabemos que os supermercados praticam economias de escala que permitem ter custos fixos mais baixos do que o retalho tradicional e isso não acontece só com a gasolina, é com todo o tipo de produtos".

Impacto das cotações
Apesar de praticarem preços inferiores à média nacional, a própria ERSE assinala que os impostos são ainda "a maior fatia do preço de venda ao público (PVP) paga pelo consumidor", correspondente a cerca de 57,7% do total da fatura da gasolina e a 52,7% do gasóleo, qualquer que seja o local do abastecimento.

Mas a subida geral no mercado dos combustíveis e GPL acompanhou a evolução da cotação internacional dos combustíveis e o respetivo frete , que também sofreram aumentos de valor, subindo até aos 27,5% na gasolina e aos 28,9% no gasóleo, o que demonstra que se verificou um crescimento das cotações internacionais dos destilados ligeiros. Já as componentes de logística, reservas e incorporação de biocombustíveis não tiveram grandes alterações.

Ainda assim, os preços não se fizeram sentir de igual forma em todo o país, explica a ERSE. Braga e Aveiro foram as zonas com os valores de gasóleo e gasolina mais baratos. Já Bragança, Beja, Lisboa e Portalegre foi onde abastecer saiu mais caro.
Quanto ao GPL, o preço médio de venda ao público registou um aumento de 2,5% face a junho, o que se traduz em 0,760 euros por litro. Verificaram-se ainda crescimentos de 1,5% e de 1,4% do PVP de garrafas mais comercializadas de gás propano e butano, segundo o boletim.

Associados à subida dos valores praticados para os combustíveis estão os níveis de consumo que, segundo informação divulgada ainda neste mês pela Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), nos dão conta de um crescimento no mês de julho de 2021, seguindo uma tendência que se registou no último trimestre, de acordo com os dados contabilizados pelos comercializadores grossistas de combustível a nível nacional.

Verificou-se assim uma variação positiva no consumo de 10,82% em julho deste ano, em comparação com o mesmo mês em 2020. Já de junho para julho, o aumento médio foi de 13,52% : a procura por gasolina cresceu 12,19% e por gasóleo 11,80%.

Efeito do desconfinamento
As variações em alta, ao nível do consumo e do preço dos derivados do petróleo, são encaradas pelas entidades responsáveis como fruto principal das medidas de desconfinamento, a reabertura e recuperação das atividades económicas, bem como um reflexo do efeito sazonal habitual das férias de verão e a retoma do turismo em Portugal.

"Esta semana os preços já desceram", relembra António Comprido, da APETRO, admitindo ainda que é difícil fazer uma previsão para os próximos meses. "O preço do petróleo é volátil, sobe e desce, de acordo com as cotações nos mercados internacionais e ainda as taxas de câmbio entre o dólar e o euro, porque pagamos em euros, mas os produtos são vendidos em dólares".

Segundo a ERSE, os stocks de barris de petróleo dos EUA, Europa e Japão aumentaram, em julho, sendo que o preço de cada barril se situou em média nos 70 dólares, mantendo a trajetória ascendente no mercado spot. Por outro lado, o valor médio das cotações internacionais dos derivados do petróleo cresceu pela terceira vez consecutiva após a correção observada em abril.

Texto editado por Teresa Costa, editora do Dinheiro Vivo

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