Galp prepara novas parcerias para investimentos no lítio

Petrolífera tem objetivos ambiciosos a atingir até 2030. Por isso, procura alternativas energéticas. CEO da Galp promete novidades dentro de semanas.

A Galp está a acelerar a regeneração da operação, redirecionando esforços para a inovação em energias alternativas em busca de um novo sistema de energia. Uma das apostas é a indústria do lítio, com a empresa liderada por Andy Brown a preparar-se para anunciar novas parcerias nesse campo "nas próximas semanas".

A novidade foi avançada pelo CEO da petrolífera portuguesa quando participou no painel "Can the energy sector go carbon neutral?" ("O setor energético pode tornar-se neutro em carbono?"), durante a Web Summit. "Dentro de algumas semanas poderá saber-se algo", prometeu.

Para Andy Brown, o lítio representa "uma gigante oportunidade". O país quer investir no lítio - há planos governamentais nesse sentido -, mas ainda não há nem atividade mineira nem atividade de refinação. Aliás, não há nem em Portugal, como também não há no resto da Europa. Por isso, a Galp quer fomentar a indústria do lítio, em Portugal, um país que o gestor considera ter recursos "únicos" e que é "número um" em reservas de lítio, comparando com o resto da Europa.

Durante a Web Summit, Andy Brown escusou-se a revelar detalhes do que está para ser anunciado. Mas, à margem da apresentação da plataforma de inovação colaborativa Upcoming Energies (empresa tem 180 milhões para alavancar tecnologias verdes em dez anos), afirmou: "O carvão claramente precisa de deixar de fazer parte da equação". Na mesma ocasião, Brown afirmou ao Dinheiro Vivo que também tem de haver um estímulo à alternativa, para se "encontrarem formas de mudar o sistema [energético], para que os consumidores possam fazer uma escolha diferente".

O lítio será uma das respostas da Galp, segundo o gestor, que anunciou, também na última semana, que a energética deixará de fazer novas prospeções de petróleo e gás natural, a partir de janeiro de 2022. De acordo com o "Jornal de Negócios", as parcerias que deverão ser anunciadas em breve, contemplam a intenção da Galp investir "centenas de milhões" na produção de lítio. A empresa quer fornecer a Europa com 30% de hidróxido de lítio, admitindo criar "três ou quatro" unidades de processamento de lítio, em Portugal, até 2030.

Em junho, o CEO da Galp fez saber que a empresa estava em negociações com uma grande fabricante europeia de baterias de lítio, com vista à criação da primeira unidade de processamento deste mineral em toda a Europa. Segundo o jornal "Eco", a referida fabricante era a sueca Northvolt. Antes, a Galp chegou a desenvolver um projeto com a britânica Savannah, mas a parceria expirou nesse mesmo.

Haverá um obstáculo ao lítio nos próximos tempos: a dissolução da Assembleia da República. O Orçamento do Estado para 2022 previa o lançamento de um concurso público para atribuir licenças de exploração do lítio, em Portugal. Mas, mas, com o chumbo do documento orçamental e consequente dissolução do Parlamento, todo o processo poderá atrasar-se.

Não obstante, decorre até dia 10 de dezembro uma consulta pública da Direção-Geral de Energia e Geologia sobre o relatório de avaliação ambiental preliminar do programa de prospeção e pesquisa de lítio, que incide sobre oito potenciais áreas de exploração no país.

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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