Galp e Northvolt juntas na exploração de lítio investem 700 milhões e criam 1500 empregos

Joint venture Aurora representa um investimento inicial de 700 milhões e a criação de 1500 empregos, em Portugal. Operação comercial arranca em 2026.

A Galp e a Northvolt vão unir esforços para explorar oportunidades de negócios relacionadas com o rápido crescimento da cadeia de valor das baterias de lítio, anunciaram as duas empresas esta terça-feira na cerimónia de assinatura da parceria, que contou com a presença do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, e do secretário de Estado da Energia, João Galamba. As duas empresas vão avançar com um projeto industrial que visa o desenvolvimento de uma cadeia de valor de baterias para veículos elétricos.

Ambas as empresas acordaram a criação da joint venture Aurora, cuja participação é partilhada 50/50, para criar e desenvolver em Portugal a "maior e mais sustentável fábrica de conversão de lítio da Europa". A localização dessa fábrica ainda não está definida, mas espera-se que o empreendimento tenha uma capacidade de produção anual de até 35 mil toneladas de hidróxido de lítio.

O investimento previsto deste projeto ascende a cerca de 700 milhões de euros. No entanto, a decisão final de investimento ainda não ocorreu, segundo os responsáveis da Galp e da Northvolt. O início da atividade da fábrica está previsto para o final de 2025, com as operações comerciais a arrancarem no início de 2026. Prevê-se a criação de 1500 postos de trabalho diretos e indiretos.

"Está é uma oportunidade única para reposicionar a Europa como líder numa indústria que servirá para reduzir as emissões globais de dióxido de carbono", afirmou o CEO da Galp, Andy Brown, manifestando satisfação com o plano desenhado, na apresentação pública deste projeto industrial. Para o gestor, Portugal tem as "competências-chave" para desenvolver este tipo de indústria.

Já para Paolo Cerruti, co-fundador e chief operating officer da Northvolt, está em causa o desenvolvimento de uma indústria europeia de fabrico de baterias, que representa "uma tremenda oportunidade económica e social" não só para Portugal, mas para toda a Península Ibérica e Europa.

Espera-se que a unidade a ser desenvolvida pela joint venture seja capaz de produzir hidróxido de lítio suficiente para a produção de 50 GWh (gigawatts) de baterias por ano. O suficiente para alimentar 700 mil veículos elétricos - caberá à Northvolt garantir um consumo de até 50% da capacidade da unidade para utilização no seu próprio fabrico.

O projeto Aurora ambiciona também vir a utilizar energia verde no processo de conversão de lítio, atenuando a dependência do gás natural na produção de baterias de lítio.

Além deste primeiro empreendimento, a joint venture da Galp e Northvolt vai procurar outras oportunidades de negócio relacionadas com toda a cadeia de valor do lítio. Nesse sentido, a Aurora também vai explorar as opções adequadas de financiamento, no âmbito da transição energética.

De acordo com o noticiado pelo "Expresso", a 1 dezembro, o projeto da cadeia de valor das baterias de lítio, encabeçado pela Galp, é o maior projeto da área da energia que está a concorrer aos 930 milhões de euros de apoios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para projetos e agendas de inovação.

O projeto liderado pela Galp representa investimentos totais de 980,5 milhões de euros, dos quais 417 milhões a cargo da Petrogal, e 388 milhões da empresa Aurora Lith (Northvolt).

A Northvolt é uma empresa sueca fundada em 2015, que pretende tornar-se numa das maiores produtoras europeias de baterias para veículos elétricos. Tem mais de 2300 trabalhadores, de 108 nacionalidades, e já captou um total de seis mil milhões de euros para investimentos. Tem acordos com a Volkswagen, que é a sua principal acionista, com a BMW e a Volvo. A carteira de encomendas supera os 23 mil milhões de euros.

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