Faturação de Expresso e encomendas dos CTT sobem 26,6%

O negócio das entregas deu um impulso às receitas dos Correios em ano de pandemia, embora o lucro total tenha caído 43%.

Em ano de pandemia, os CTT viram os lucros recuar 42,9% para os 16,7 milhões de euros. Apesar do impacto da pandemia, que se refletiu em algumas áreas de negócio, nomeadamente no Correio e Outros, as receitas subiram 0,7% em termos homólogos, para os 745,2 milhões de euros.

João Bento, CEO dos CTT, refere que "estes resultados operacionais demonstram que os CTT têm seguido uma estratégia acertada. Mesmo em contexto pandémico, o reposicionamento da marca e reforço da aposta na área de Expresso e Encomendas trouxe resultados muito positivos, com crescimento a dois dígitos nos rendimentos operacionais, no EBITDA e no número de objetos transportados".

Entre as várias áreas de negócio dos CTT, destacou-se o crescimento da área de Expresso e Encomendas, descrita pelos CTT como um dos "motores" dos resultados de 2020. Esta área viu as receitas subir 26,6% para os 193 milhões de euros. Em 2019, esta operação contabilizava receitas de 152,4 milhões de euros.

No quarto trimestre, esta área de negócio registou rendimentos de 36,8 milhões de euros, uma subida de 33,1% em termos homólogos. No total do ano, os CTT referem que a performance deste negócio em Portugal resultou sobretudo do crescimento do CEP (Courier, Express and Parcels), cujos rendimentos ascenderam a 96,5 milhões de euros. O tráfego CEP em Portugal totalizou 25,9 milhões de objetos, uma subida de 35,7% comparando com 2019. Esta acelerada subida é justificada pelo impulso do comércio eletrónico, fortemente alavancado pelo confinamento vivido em 2020. De acordo com os Correios, foi notório um crescimento relevante dos setores da alimentação, desporto e lazer, educação e cultura e ainda eletrónica de consumo no e-commerce.

De acordo com os CTT, terá sido o crescimento da operação de Expresso e Encomendas, a par com o desempenho positivo do Banco CTT, que "compensou o acentuado decréscimo" de rendimentos noutras áreas, nomeadamente no Correio e Outros e dos Serviços Financeiros. No caso do negócio de Correio, foi sentida a influência da pandemia: os rendimentos operacionais em 2020 caíram 10,8%, para os 426,1 milhões de euros. A empresa nota que a pandemia veio acelerar a tendência de queda do tráfego do correio, como resultado da aceleração da digitalização. Por segmento, o correio transacional caiu 16,6%, para os 447,2 milhões de objetos. Já o correio publicitário recuou 17,6% (39,7 milhões de objetos) e o correio editorial caiu 13,7% (30 milhões de objetos).

Banco CTT cresceu 30,5%

O Banco CTT registou pela primeira vez um resultado líquido consolidado positivo em 2020, de 0,2 milhões de euros. No ano passado o banco ganhou 56 mil contas, totalizando 600 mil clientes. O rendimento do banco cresceu 30,5% em 2020, para um montante de 82,1 milhões de euros. Deste valor, 12,9 milhões de euros são provenientes da 321 Crédito, adquirida em maio de 2019. No ano passado, o banco constituiu 9,3 milhões de euros de imparidades e provisões - dos quais 5,8 milhões de euros no segundo trimestre do ano.

Os depósitos dos clientes subiram 31,6% para os 1689 milhões de euros. Já as comissões recebidas cresceram 52,9%, sobretudo devido ao crédito à habitação (+64,4%) e a s contas e cartões (+607%).

No final de 2020, tinham sido formalizados pedidos de moratórias que atingiram uma exposição total de 40,4 milhões de euros, sendo o maior montante relativo ao crédito à habitação (31,1 milhões de euros).

Cátia Rocha é jornalista do Dinheiro Vivo

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