Famílias estão a gastar mais no super. Peso das bebidas alcoólicas nas compras aumenta

Portugueses gastaram mais de 8,1 mil milhões de euros nas compras para a casa até setembro, 920 milhões dos quais em bebidas alcoólicas. A pandemia mudou hábitos, e esta categoria sai reforçada com um crescimento de 10%

As famílias portuguesas gastaram, este ano, mais 205 milhões de euros nos super e hipermercados. No total, nos primeiros nove meses do ano, as vendas de bens de grande consumo estão a crescer 2,6% para 8140 milhões de euros, contra os 7935 milhões do período homólogo.

Os dados são da Nielsen, que destaca que se trata de um crescimento "sobre um período homólogo que estava muito dinâmico em 2020", tendo crescido então, face ao ano anterior, 7,8%. A empresa de estudos de mercado salienta, ainda, a performance das marcas da distribuição, as chamadas marcas brancas, que acumulam crescimento em valor de 3,7%, entre janeiro e setembro, contra os 2% das marcas de fabricantes.

É nas bebidas que se verifica o maior crescimento relativo, com um aumento de 10% nas bebidas alcoólicas e de 5% nas não alcoólicas, o que fez subir para 11,3% e 6,7%, respetivamente, o peso destas categorias de produto nas compras totais das famílias. Significa isto que, dos 8140 milhões deixados no supermercado, quase 920 milhões de euros foram em bebidas alcoólicas e 545,4 milhões em águas, sumos e similares.

Para o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a explicação está nos confinamentos, por causa da pandemia, que levaram ao encerramento dos restaurantes, levando os portugueses a aumentar o consumo em casa. Em termos de vinho, diz Gonçalo Lobo Xavier, assistiu-se a uma "alteração substancial" no comportamento dos portugueses em casa, que, com a pandemia, "descobriram um bocadinho mais dos vinhos nacionais e que acabaram por manter essa tendência", mesmo depois da reabertura da restauração. "Houve muitos hábitos que se mantiveram, designadamente a tendência das pessoas se reunirem em casa, com os amigos, o que ajuda a explicar o crescimento desta categoria", frisa.

Quanto às bebidas espirituosas, "o que se sente é uma tendência gradual de aumento com a vinda dos turistas e que tem mais expressão sobretudo no vinho do Porto e no whiskey. Agora, com o aproximar do fim do ano, é provável que o consumo destas bebidas volte a subir, já que constituem a escolha de muitos para oferta como presente de Natal.

Voltando à cesta dos portugueses, só as compras de mercearia, congelados e de higiene pessoal é que estão a crescer, também, embora a um ritmo muito inferior ao segmento bebidas. As famílias gastaram, este ano, mais 3% em mercearia, face a igual período de 2020, sendo que esta é a categoria que mais pesa na carteira dos portugueses: vale 38,9% dos gastos totais em bens de grande consumo, o que equivale a 3166,5 milhões, mais 103,6 milhões do que em 2020.

As vendas de artigos de higiene pessoal estão a crescer 1% e valem mais de 830 milhões de euros, cerca de 10,2% dos gastos totais. Já os congelados crescem ao mesmo ritmo, embora tenham um peso menor na fatura do supermercado, ficando-se pelos 8%. Desde o início do ano, as famílias gastaram 651 milhões em congelados.

Por fim, os laticínios valem 16,8% do valor total das compras dos portugueses e estão, este ano, a cair 1% para 1367,5 milhões, contra os 1380,7 milhões gastos o ano passado. A higiene para o lar está, também, a recuar 1% e vale 659 milhões de euros.

"O retalho alimentar está com performances muito interessantes e com uma tendência de crescimento que é transversal a todos os retalhistas. Já o mesmo não se pode dizer do retalho especializado, que melhorou consideravelmente no mês de outubro, mas está ainda longe da performance pré-pandemia", diz Gonçalo Lobo Xavier.

Os dados da Nielsen mostram, ainda, que as marcas de distribuição, ou seja, as marcas próprias das várias cadeias de supermercados, estão a reforçar a sua posição, praticamente em todas as categorias, mas em especial na área da alimentação e dos artigos de higiene. Quase quatro em cada dez produtos comprados pelas famílias nos hiper e supermercados são artigos de marca branca.

Para o diretor-geral da APED, isto traduz o reconhecimento do consumidor face ao "grande investimento" que o retalho alimentar tem feito nas suas marcas próprias. "Tem-se assistido, por um lado, a uma grande aposta no aumento da qualidade e sofisticação dos produtos, com a valorização, muitas vezes, da produção nacional, e, por outro, a uma crescente preocupação com as questões ambientais, com muito investimento em ecodesign e na diminuição do uso de plásticos nas embalagens e isso tem sido valorizado pelo cliente", sustenta.

ilidia.pinto@dinheirovivo.pt

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