Estivadores. Greve faz subir custos da matéria-prima

Soja já subiu 15%. Operadores do Porto de Lisboa pedem 4 milhões de indemnização

A greve dos estivadores que começou em abril e irá prolongar-se até fim de maio, já está a ter impacto nas empresas da indústria agroalimentar. Embora ainda não seja possível falar em prejuízos no setor, o custo das matérias-primas está a subir, diz a Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares.

"Os produtores nacionais tiveram de ir buscar matéria-prima, principalmente a Espanha, e trazê-la por via rodoviária. Isso implicou o aumento do custo da soja, um dos elementos fundamentais para a alimentação animal, de cerca de 15%", diz ao DN/Dinheiro Vivo Pedro Queiroz, diretor-geral da federação.

As informações recolhidas pela federação indicam que os operadores do mercado internacional estão a fornecer Portugal com preços acima da média praticada a nível mundial. "O primeiro impacto que sentimos é mais qualitativo. Há, claramente, um impacto na reputação e credibilidade do país e há um abalo significativo na confiança de parceiros externos. Os operadores marítimos começam a ter forte desconfiança e, muitas vezes, relutância em deslocar-se a Portugal com carga", refere Pedro Queiroz.

No caso do comércio, especificamente o alimentar, o impacto ainda não é significativo, até porque grande parte das importações são feitas por via terrestre, justifica João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal. Contudo, "sendo Portugal um país que pretende ser um interface importante em termos logísticos, esta situação é bastante prejudicial".

Ao mesmo tempo, se a greve se prolongar até 27 de maio, como previsto, "é possível que haja impactos significativos", antecipa Vieira Lopes. "Apesar de grande parte das importações portuguesas serem feitas por via terrestre, mesmo uma parte pequena que venha por via marítima tem implicações no sistema produtivo." Se as empresas chegarem a perder negócio, "a tendência será, por exemplo, de prescindir de trabalhadores a prazo".

O Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal tem vindo a fazer sucessivas greves desde 2014. A 20 de abril, iniciou uma nova que já foi prolongada até 27 de maio. Em causa estão 20 reivindicações, mas o principal motivo é a possibilidade de os operadores dos portos incluírem nas escalas trabalhadores que não fazem parte da Empresa de Trabalho Portuário. A paralisação afeta sobretudo Lisboa, mas tem reflexos também em Setúbal e Figueira da Foz.

Num pedido indemnizatório que fez chegar ao Tribunal de Trabalho, e a que o Público teve acesso, a Associação dos Operadores de Lisboa refere que, desde que começou a greve, a 20 de abril, cada dia custou, em média, 300 mil euros aos operadores do porto. A 3 de maio, os prejuízos rondavam 3,9 milhões. A Associação dos Agentes de Navegação de Portugal aponta que, nos últimos 10 anos, o Porto de Lisboa recebeu cem pré-avisos de greve.

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