Entre 100 e 150 trabalhadores vão ser dispensados pelo Santander

Banco avança com despedimentos. Sindicatos rejeitam medida e dizem que Santander quebra promessa a trabalhadores.

São mais umas centenas de trabalhadores que poderão sair do Santander Portugal em 2021. O banco anunciou ontem que vai despedir entre 100 a 150 trabalhadores. Isto depois de, nos primeiros três meses deste ano, ter chegado a acordo com 68 colaboradores com vista à rescisão dos seus vínculos com o banco. O banco anunciou ainda que tem a decorrer um programa geral voluntário de saídas para trabalhadores com 55 ou mais anos de idade - Plano 55+. Segundo o Santander, são cerca de 950 os trabalhadores do banco que encaixam neste grupo.

O anúncio do despedimento de até 150 trabalhadores, apanhou de surpresa os sindicatos do setor que acusam o Santander de estar a quebrar uma promessa feita aos trabalhadores, de que só haveria saídas do banco mediante um acordo. "Os sindicatos foram hoje surpreendidos pela nota de imprensa do Banco Santander Totta, e subsequentes declarações, de que o banco pretende reduzir o número de trabalhadores, recorrendo a medidas unilaterais - ou seja, a despedimentos", indicaram o Mais, o Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) e o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) num comunicado. "O Mais, o SBN e o SBC não permitirão ameaças e recorrerão a todos os meios legais e outros para proteger os trabalhadores", adiantaram.

Também o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) reagiu ao anúncio do Santander e considerou ser "uma ofensa aos trabalhadores" a medida anunciada. Para Paulo Marcos, presidente do SNQTB, a medida "é completamente injusta, inqualificável, injustificada e inaceitável", afirmou, citado num comunicado do Sindicato. O SNQTB recordou que "o Santander negou pública e reiteradamente a existência do processo de reestruturação que agora invoca e que o sindicato sempre afirmou que existia".

O anúncio do Santander surgiu no mesmo dia em que o banco liderado por Pedro Castro e Almeida anunciou que os seus lucros caíram 71,2% no primeiro trimestre do ano, para 34,2 milhões de euros. O banco constitui, entre janeiro e março deste ano, uma provisão de 164,5 milhões de euros, líquida de impostos, para fazer face a uma reestruturação dos recursos humanos do banco.

O Santander precisou, no comunicado com os resultados dos primeiros três meses do ano, que"a otimização da rede de agências implicou a redução de 427 para 386 balcões", no período entre dezembro de 2020 e março de 2021. Significa que fechou 41 balcões, e que foram "concretizados 68 acordos de saída do banco com colaboradores abrangidos".

No mesmo comunicado, o banco esclareceu que "nesta data são iniciados os procedimentos tendentes a uma redução unilateral que incluirá os demais colaboradores cujas funções se tornaram redundantes, medida que incluirá entre 100 e 150 colaboradores".

Segundo o Santander, "em junho, após a conclusão deste plano, será aprovado um plano de reestruturação, cujo âmbito e dimensão será determinado em função dos resultados do Plano 55+", adiantou no comunicado.

O Santander contava no mês de março um total de 5.954 trabalhadores, o que corresponde a uma redução de 215 face ao mesmo mês de 2020. O banco tinha no final do primeiro trimestre deste ano 386 agências no país, menos 96 do que um ano antes.

Os bancos têm vindo a emagrecer os seus quadros nos últimos anos e a crise provocada pelas medidas adotadas pelo Governo, no âmbito da epidemia, trouxeram novo ímpeto à tendência de corte no número de trabalhadores no setor. Os lucros dos bancos foram, no último ano, afetados pela contabilização de "almofadas" para fazer face a eventuais perdas relacionadas com o crédito malparado. As moratórias, na sua maioria em vigor até setembro, têm travado o incumprimento dos clientes.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG