Empresários otimistas com regresso do consumo privado

Maior transparência fiscal e desburocratização são os pedidos de quem investe em Portugal. Depois de anos de austeridade, a esperança está no bolso das famílias

Investidores e empresários estão mais otimistas: o Orçamento do Estado devolve rendimentos às famílias e, com isso, o consumo privado vai crescer. Fragilidades? Falta de previsibilidade fiscal - cada governo traz uma bula diferente e isso dificulta um planeamento a prazo.

"Quando se prepara um investimento fazem-se ponderações entre três e cinco anos e as constantes alterações aos impostos dificultam a vida aos empresários", conta ao DN/Dinheiro Vivo João Nabeiro, administrador da Delta, admitindo que as empresas acabam por se ajustar "de acordo com os governos".

A Silampos, que trabalha com vários mercados internacionais, coloca o dedo na mesma ferida. "Muda o governo e mudam as regras. O pior que pode acontecer para o investidor é ver mudanças drásticas", considera Aníbal Costa Santos, salientando, ainda assim, que "o anterior governo foi excessivo nas medidas que adotou e agora temos um meio-termo que tem um enfoque social muito importante". Mesmo assim, salienta, "os investidores externos gostam de conhecer bem os detalhes fiscais e políticos para investirem" e isso pode atrapalhar os planos para o futuro.

A Câmara de Comércio Luso-Espanhola concorda. "O mais importante é haver estabilidade política e consenso geral nas medidas a aplicar", até porque "constantes variações podem afetar de forma negativa os investimentos". Para já, tal como é conhecido, o documento não assusta. "Não há motivo para receios - os investidores estão mais concentrados no que se passa na situação política espanhola, pois ainda não se vê uma luz ao fundo do túnel."

José Manuel Esteves, da AHRESP, a associação de restaurantes e hotéis, não esconde o entusiasmo - António Costa repôs o IVA na restauração em 13%. Apela, mesmo assim, a uma maior atenção para o reforço dos capitais próprios das empresas, com uma aplicação rápida e eficiente do Portugal 2020, e desburocratização dos processos. "25% do investimento hoteleiro vem do estrangeiro. E não há nada que os investidores gostem mais do que transparência fiscal e eficiência de atuação."

Jorge Armindo, da Amorim Turismo, aproveita a herança da formação em Economia para dizer que "estamos perante um modelo diferente do adotado pelo anterior governo", admitindo, desde logo, que não é "contra" as opções agora tomadas. "O orçamento traz um potencial de crescimento" e se tudo correr bem na envolvente externa há margem para melhorar a economia. "Estou otimista."

A Barraqueiro também vê com otimismo o novo Orçamento. "A nossa preocupação é o consumo interno e a sustentabilidade das empresas." O consumo parece estar a ser potenciado, diz Luís Cabaço Martins, falta agora assegurar que as empresas também cresçam. E, neste capítulo, ainda pede acertos ao OE: é que o ISP vai subir, como já aconteceu com a reforma da fiscalidade verde, dando abertura para uma maior utilização dos transportes públicos. Só que esqueceu-se de isentar as empresas de transportes do seu pagamento. "É algo muito preocupante", diz, admitindo que "a herança do anterior governo foi pesada para o setor".

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